Com bloqueios, passageiros relatam prejuízos após cancelamento de ônibus em Florianópolis

Manifestações com rodovias bloqueadas fizeram empresas do transporte intermunicipal e interestadual cancelar viagens de ônibus a partir da rodoviária Rita Maria de Florianópolis

Foto de Nícolas Horácio

Nícolas Horácio Florianópolis

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Os bloqueios de rodovia desta segunda-feira (31) realizados por manifestantes contrários ao resultado das eleições presidenciais provocaram o cancelamento das viagens no Terminal Rita Maria, em Florianópolis.

bloqueios em sc afetam viagensViagens de ônibus foram canceladas devido às interdições de estradas em SC – Foto: Leo Munhoz/ND

A situação resulta em longas esperas e desespero na rodoviária, comprometendo todo tipo de viajante: desde aqueles que vieram para Florianópolis a passeio e agora necessitam retornar, até a avó que precisa viajar para cuidar do neto e permitir que a filha trabalhe.

Por volta das 17h, 74 interdições eram registradas em pistas estaduais e federais que cortam Santa Catarina, segundo boletins da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e PMRv (Polícia Militar Rodoviária). Manifestantes fecham as pistas com veículos e pneus queimados.

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Mariana Prestes foi reembolsada após o cancelamento da viagem para o Rio de Janeiro. Apesar de receber o dinheiro de volta, não conseguirá presenciar a inauguração da sede física da empresa na qual trabalha no modelo home office, marcada para às 17h desta terça-feira (1º).

“O pessoal da empresa está bem chateado. Quem trabalha aqui em Florianópolis não vais mais”, desabafa a moça, de 32 anos. “A democracia deve ser respeitada. É uma questão de não aceitar a opinião do povo. Pararam a nossa vida porque não aceitaram o resultado”, pontua Prestes.

Mariana foi reembolsada após ter viagem cancelada por causa dos bloqueios nas rodovias pelo país – Foto: Leo Munhoz/NDMariana foi reembolsada após ter viagem cancelada por causa dos bloqueios nas rodovias pelo país – Foto: Leo Munhoz/ND

Mãe desesperada

Por volta das 15h, Rosimari Gonçalves dos Santos ainda estava na rodoviária esperando uma solução para a viagem marcada às 10h e que fora cancelada.

Ela estava preocupada com a filha e o neto. A dona de casa, de 56 anos, precisava ir até Imbituba, no Sul de Santa Catarina, cuidar do pequeno. Só assim a filha poderia trabalhar.

“Preciso ficar com o meu netinho, estou esperando até agora. Não é justo a gente pagar por isso”, conta. “Eu disse para a minha filha que estou aguardando nova viagem, ela está desesperada pois precisa de mim lá para trabalhar. Vamos ver se eles atendem a gente”, desabafa.

Sem reembolso

Caroline de Melo, de 28 anos, tinha que voltar para Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, nesta segunda (31). “Comprei na quinta-feira, pelo site. Estava tudo certo, marcado para às 13h. Aí, pela manhã, mandaram mensagem cancelando sem dar justificativa. Falaram que ia ficar pendente”, conta a nail designer.

Sem reembolso, o valor da passagem ficou como crédito para outras viagens pela companhia. “Não estou satisfeita, queria reembolso. A passagem foi R$ 115”, conta. Ela retornará de aplicativo de caronas, pagando mais R$ 100. “Estou assustada, nervosa, com medo. Imagina se está assim agora, como será daqui pra frente”.

Monitoramento da situação

A Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade monitora a situação nas rodovias e o impacto das barreiras. Conforme levantamento da Superintendência de Planejamento e Gestão, atualizado às 22h de segunda-feira (31), aproximadamente 40 ônibus com 800 pessoas a bordo, em diversos pontos do Estado, aguardavam a liberação das rodovias.

Também segundo a secretaria, as operadoras têm prestado o melhor apoio possível aos passageiros, com hospedagem em hotéis e alimentação, onde é possível.

Diversas empresas cancelaram preventivamente as operações até a situação se normalizar, outras estão conseguindo operar de forma precária, fazendo desvios, e há atrasos.

Um ônibus foi parado em bloqueio, mas a polícia liberou a passagem e o veículo chegou ao seu destino em Chapecó. Além disso, 26 empresas estão operando sem interferência, mas são do transporte semiurbano.