Quem nunca ficou no trânsito da Capital e se perguntou sobre qual o motivo de Florianópolis não contar com um metrô? Pensando nisso, o ND+ conversou com especialistas para entender sobre a viabilidade do transporte sobre trilhos.
coordenador do Observatório de Mobilidade Urbana da UFSC aponta que uma das alternativas para a ausência de metrôs são os BRTs – Foto: Leo Munhoz/NDA geógrafa Maria Carolina Villaça Gomes explicou que os solos da Ilha de Santa Catarina são poucos desenvolvidos nas encostas e terrenos mais baixos e planos, ou seja, não têm capacidade de suporte para grandes obras, como uma linha metroviária.
“No caso de metrô de superfície, que estaria quase que restrito às baixadas, há dois aspectos importantes. Em primeiro lugar, os terrenos mais favoráveis à ocupação já estão densamente edificados e, em segundo, que as demais áreas disponíveis estão, em grande parte, inseridos em Áreas de Preservação Permanente [APPs]”, explicou a professora Maria Carolina Villaça Gomes.
SeguirO coordenador do Observatório de Mobilidade Urbana da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Bernardo Meyer, destacou a impossibilidade por conta das características do solo da Capital e também de outro ponto específico.
“Os padrões de adensamento da cidade e a quantidade de pessoas que usam o transporte público não justificam o investimento do montante exigido para implementar um metrô”, explicou Bernardo Meyer.
Ainda conforme o coordenador, a Capital não apresenta um grande número de usuários em apenas um ponto, mas estão dispersos ao longo dos bairros da Ilha de Santa Catarina.
Procurada pela reportagem do ND+, a prefeitura de Florianópolis informou que não há nenhum planejamento para a construção de um metrô na cidade.
Solução
O coordenador do Observatório de Mobilidade Urbana da UFSC destacou que uma alternativa para aperfeiçoar o transporte público de Florianópolis é o BRT (Ônibus de Trânsito Rápido, em inglês), que consiste em vias exclusivas para o transporte público, conforme apresentado pelo grupo através do Plamus (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis), que foi apresentado em 2015.
“É um custo mais baixo e tem alta flexibilidade para mudar o trajeto, por exemplo. Assim como tem um baixo custo em relação aos metrôs e facilmente acessível pois não necessita de elevadores, escadas e túneis”, destacou.
Por outro lado, Bernardo Meyer explica que o único trecho com as características do BRT em Florianópolis está na UFSC.
A nova via foi implantada pelo município e pela UFSC, por meio do DPAE (Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia) – Foto: Guilherme Medeiros/PMF/Divulgação/NDO corredor exclusivo para a linha do UFSC Semidireto dentro da universidade inicia pela rua Roberto Sampaio Gonzaga, passa pela rotatória seguindo em frente à praça da Cidadania.
“As vias exclusivas são perfeitamente possíveis de fazer, mas trata-se de uma priorização para criar esses espaços”, finaliza.
A Secretaria Municipal de Mobilidade e Planejamento Urbano, por meio de nota, informou, nesta terça-feira (21), que, junto da Secretaria de Transporte e Infraestrutura, têm estudado implantações imediatas de priorização do transporte coletivo, principalmente em nós e intersecções onde há possibilidade de favorecer e priorizar a passagem dos coletivos.
Entre elas, a Pasta informou que um desses pontos de estudo é o entorno do Titri (Terminal de Integração da Trindade),
“As Secretarias estão encaminhando estudos de projetos estruturantes, obras de maior vulto. Um exemplo é o binário Pantanal Carvoeira, que está sendo implementado agora, mas tem suas etapas alinhadas para priorizar o transporte coletivo através da criação de corredores exclusivos no futuro”, complementou a pasta por meio de nota.
Confira a nota na íntegra:
A Secretaria de Planejamento e Inteligência Urbana (SMPIU), junto da Secretaria de Transportes e Infraestrutura (SMTI), têm estudado implantações imediatas de priorização do transporte coletivo, principalmente em nós e intersecções onde há possibilidade de favorecer e priorizar a passagem dos coletivos. Uma delas, por exemplo, é no entorno no TITRI.
Além disso, as Secretarias estão encaminhando estudos de projetos estruturantes, obras de maior vulto. Um exemplo é o binário Pantanal Carvoeira, que está sendo implementado agora, mas tem suas etapas alinhadas para priorizar o transporte coletivo através da criação de corredores exclusivos no futuro.