Após o acidente com caminhão do Exército Brasileiro que deixou três jovens mortos em Blumenau, o 23º BI (Batalhão de Infantaria) informou que suspendeu temporariamente a condução de soldados ao CT (Centro de Treinamento). O comunicado ocorreu em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (21), no Batalhão.
Entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (21) no 23° BI – Foto: Rodrigo Vieira/NDTVConversaram com a imprensa o general Márcio Luis do Nascimento Abreu Pereira, comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, e o tenente-coronel Frederico Toscano Barreto, comandante do 23º BI (Batalhão de Infantaria). Eles falaram sobre o andamento do inquérito, as possíveis causas do acidente, e também sobre o amparo às famílias dos soldados mortos e feridos.
Mudanças a partir de agora
O general Pereira afirmou que está temporariamente suspenso o trânsito de caminhões com soldados em direção ao CT (Centro de Treinamento). A rua Belmiro Colzani, no Progresso, não será mais utilizada para o transporte militar.
SeguirO Batalhão estuda a possibilidade de fazer o acesso ao CT a pé. No entanto, qualquer decisão será tomada apenas após a conclusão do inquérito.
Sobre a forma de condução dos soldados dentro dos caminhões, o general afirmou que “esse transporte é entendido como o adequado para transportar esse tipo de equipe de Infantaria”.
Ele reforça a resolução nº 551 do Contran, que faculta a utilização de cinto de segurança “nas situações de preparo e emprego das Forças Armadas e no cumprimento de suas missões institucionais”. Segundo Pereira, “nada foi feito que contrariasse as normas”, diz.
Momento em que os bombeiros e militares ajudam a colocar as vítimas dentro da ambulância – Foto: NDTVFases do inquérito
Um inquérito policial militar foi aberto para investigar as circunstâncias a respeito do acidente, identificando se há ou não algum indício de crime. De acordo com o general Pereira, um militar ficará responsável por definir quais pessoas devem ser ouvidas para esclarecer o acidente.
O inquérito policial militar tem prazo de até 60 dias para estar pronto. Quando a investigação for concluída, será analisada pelo coronel do do 23º BI, Frederico Toscano Barreto, que irá concordar ou solicitar diligências.
Depois disso, o coronel irá emitir sua posição sobre a investigação e encaminhará o inquérito à Justiça Militar. De lá, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público Militar, que instaurará ou não processo.
Momento em que o guincho retira o veículo da mata – Foto: Alexandre José/ NDTVCausa do acidente
Na coletiva de imprensa, o general contou que passou pelo local do acidente algumas vezes, e a “impressão que se tem é que naquele ponto havia uma protuberância com algum afloramento de pedras que entram na direção da pista”, explica.
Essas pedras, segundo Pereira, obrigaram a viatura a desviar. “E nesse momento o que parece é que o terreno cedeu, e sim a viatura parece ter deslizado”, acrescenta, dizendo que os militares observaram que a terra no local estaria bastante úmida.
Momento em que equipes de resgate fazem a busca e resgate das vítimas – Foto: Stêvão Limana/NDTVE o armamento que estava dentro do caminhão?
A NDTV Blumenau teve acesso a informações que apontam possibilidade de furto de armamentos que estavam dentro do caminhão envolvido no acidente. O general Pereira afirmou que na sexta-feira (18) as equipes teriam recuperado “a maioria” dos equipamentos que estavam dentro do caminhão, mas que não conseguiram localizar todo o material.
Por isso, o Batalhão continua fazendo o controle de tráfego na região. Enquanto isso as buscas pelos materiais continuam. O Exército não soube informar a quantidade de armas ou materiais que continuam perdidos.
Indenizações às famílias
Quando questionados sobre as indenizações às famílias dos soldados mortos e feridos, o general afirmou que o Exército está dando todo o suporte aos envolvidos.
Em relação aos mortos, o Batalhão está recolhendo, junto às famílias, todos os documentos necessários para fechar o processo de indenização dos valores funerários. Ou seja, o Exército irá cobrir os custos do velório e sepultamento dos mortos. “Nós faremos o pagamento assim que tivermos todo o processo concluído”, disse Pereira.
Em relação aos militares feridos, o general e o comandante do 23º BI afirmaram que estão acompanhando o tratamento de saúde dos militares até que eles possam retornas às atividades. Todos os sobreviventes já estão em casa.
As vítimas foram recebidas pelos familiares – Foto: 23°BI/ Divulgação/ND