Motociclistas circulando entre os carros, principalmente no corredor das estradas e avenidas, já se tornou uma cena comum no trânsito da Grande Florianópolis. A prática gera uma série de discussões, mas afinal, usar o corredor entre os veículos é permitido por lei? A resposta é sim. É possível usar o corredor, mas há regras pra isso.
Motocicletas circulando entre os carros, principalmente no corredor das estradas e avenidas, já se tornou uma cena comum – Foto: Arteris/DivulgaçãoSegundo o Icetran (Instituto de Certificação e Estudos de Trânsito e Transporte), já houve a tentativa de mudar a lei de trânsito brasileira para criar normas para a circulação das motos. No entanto, as propostas não avançaram.
“Uma em 1998, que é o Artigo 56 e foi vetado. E uma recentemente, a Lei 14.071, que criava inclusive quais as situações que eu podia andar no corredor, que era com o trânsito parado ou lento, mas também foi vetado. Então, toda a norma de mudança de proibição foi vetada”, contou o diretor do instituto, Sidnei Schimidt.
A moto virou uma alternativa para se chegar mais rápido ao destino final diante do trânsito pesado das grandes cidades, mas a conduta de cada motociclista é fundamental para um trânsito seguro. Muitos deles relatam que foram autuados e multados por transitar pelos corredores sem manter a distância segura entre os veículos. E aí, surge mais uma dúvida: que distância é essa?
Para Arli Raimundo, que é presidente de um motoclube, o Código de Trânsito Brasileiro deixa muitas brechas sobre as regras para trafegar de moto entre os carros. “O pessoal diz que não tem multa no corredor. Tem. Já pagamos multa no corredor. Não está na lei que tu não pode andar no corredor. Está na lei que tu tem que manter distância, mas qual é essa distância?”, questionou Arli.
A agilidade em circular com uma moto traz também uma estatística preocupante, que são as colisões. Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), só na Grande Florianópolis, na BR-101 e na Via Expressa, 73% dos acidentes registrados nos primeiros 6 meses do ano tinham pelo menos uma moto envolvida. Além disso, 71% dos feridos e 50% dos mortos em acidentes no mesmo período estavam de moto.
Motoboy morre ao ser atingido por carro em Florianópolis – Foto: PMRv/Divulgação/NDConforme a PRF, circular de moto pelo corredor não gera infração de trânsito. O inspetor da PRF Adriano Fiamoncini disse que “o que nós vemos no dia a dia é um abuso por parte dos motociclistas que andam em alta velocidade, 60 km/h a 80 km/h, nesse espaço chamado corredor quando o trânsito está parado. E aí, não há tempo de reação, nem do motociclista nem do veículo de quatro rodas. Acaba o motociclista se machucando, ele é a parte frágil do trânsito e os números de mortes na Grande Florianópolis mostram isso”.
Fiamoncini ressalta que os motociclistas podem usar o corredor: “Ninguém vai ser multado por isso, mas faça isso em baixa velocidade. Corredor não é pista. Corredor é um jeito de ir se adiantando devagarinho enquanto o trânsito está parado. A hora que o trânsito volta a andar, volte para a sua faixa. É mais seguro para a moto”.
Arli defende a ideia de unir as polícias e outras entidades ligadas ao trânsito com os representantes dos motociclistas para criar leis ou regras específicas de circulação no trânsito. “Eu acho que isso aí é um debate grande. Pegar o pessoal da PRF, o pessoal da Guarda Municipal, pegar motoboys e conversar sobre isso, para ver o que pode e o que não pode”, disse ela.
“Estão autuando com base no Artigo 192 do Código de Trânsito Brasileiro. Ele prevê condições, que é uma distância lateral segura, mas o código não diz qual distância é essa. Então, já é subjetivo. E a gente tem que lembrar que a última atitude de um agente de trânsito é buscar a penalidade. Primeiro, ele tem que orientar e educar”, destacou Sidnei.
Veja a reportagem completa do Balanço Geral Florianópolis.