Maior parte da frota de 5,6 milhões de veículos que circulam em Santa Catarina tem entre seis e 15 anos de uso. São 44,47%, o que corresponde a 2,5 milhões de veículos (automóveis, motocicletas, comerciais leves, caminhões e ônibus). O Estado tem a quinta maior frota do país. O levantamento foi realizado pelo ND, com base nas estatísticas do Detran/SC.
Cerca de 2,5 milhões de veículos em Santa Catarina tem entre seis e 15 anos de uso – Foto: Leo Munhoz/NDO levantamento aponta que outros 20,44% têm idade acima de 16 anos, o que equivale a 1,1 milhão de veículos. Já os com até cinco anos de uso, os chamados seminovos, são 16,91% (957.395 veículos).
Em uma análise pelas últimas décadas, a maioria da frota catarinense está entre 2010 a 2019. Época em que viu o Brasil se tornar o quarto maior mercado consumidor, e a “invasão” de SUVs no mercado brasileiro.
SeguirDessa década são 43,44% dos veículos registrados no Estado. Seguido do período entre 2000 a 2009, com 1.583.580 veículos (27,97%) e 11,30% com a frota produzida entre 1990 e 1999.
Os veículos fabricados em 2013, ano que o Brasil atingiu o seu recorde, com 3,74 milhões de veículos produzidos, representam a maioria da frota em Santa Catarina com 316.489 em circulação, equivalente a 5,59%, seguido por 2011 com 5,46%, e 2012 com 5,10% dos veículos que circulam no Estado.
Idade da frota não é a ideal
Para Emerson Andrade, especialista em trânsito, a média de idade da frota não é o ideal, mas o Estado já viveu períodos piores em relação ao envelhecimento da frota. Segundo ele, quanto mais perto de um dígito, maior a preocupação com a durabilidade do veículo.
“Nas décadas de 1980 e 1990 nós tínhamos uma frota extremamente antiga. A frota com seis a 15 anos de uso não é o ideal, até porque os veículos cada vez mais são produzidos com prazos de validade”, comentou.
Para especialista, situação da idade da frota já foi pior – Foto: Leo Munhoz/ND“É diferente dos veículos que eram produzidos anteriormente em termos de lataria, de peças, de durabilidade. Pode se considerar que é uma frota não nova, mas é muito melhor do que a história nos conta”, avaliou.
Segundo Andrade, o ideal seria uma frota com uma média de uso de cinco a oito anos, no máximo. Ele pontuou ainda que, como não há fiscalização no que diz respeito à inspeção de veículo, uma frota antiga é prejudicial ao meio ambiente.
“A queima de combustível, monóxido de carbono, e com o avanço das outras tecnologias, outros combustíveis alternativos, quanto menor a idade da frota, o meio ambiente vai agradecer”, afirmou.
Envelhecimento da frota no Brasil
Relatório da Frota Circulante, elaborado pelo Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) e a Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) aponta que, no Brasil, a frota prosseguiu em seu processo de envelhecimento.
A idade média atingiu 10 anos e 3 meses em 2021 e a de motocicletas aumentou para 8 anos e 5 meses. Segundo o estudo, em quase uma década (2013 a 2021), o envelhecimento da frota em circulação elevou-se em 1 ano e 10 meses.
Para o Sindipeças e a Abipeças, a reversão desse quadro depende do aumento da taxa de crescimento das vendas de veículos novos, a taxa de sucateamento da frota existente ou de políticas públicas que exijam a retirada de circulação das unidades mais antigos, ou seja, de um programa de renovação de frota.
“As discussões feitas pelo governo federal, entidades setoriais e transportadores de carga para estruturar um programa de reciclagem veicular, embora traga como proposta que a primeira fase abranja caminhões, ônibus e implementos rodoviários, revela-se uma excelente iniciativa para avançar na modernização e redução da idade média dos veículos no país”, pontuou o estudo.