Um dos painelistas do evento de lançamento da pesquisa que mostrou a percepção do morador sobre Florianópolis, o engenheiro Cássio Taniguchi conversou com a coluna sobre o resultado. Especialmente sobre mobilidade, sua especialidade.
Cássio Taniguchi – Foto: Divulgação/NDO que mais chamou sua atenção nos resultados da pesquisa?
Foi a percepção de que é uma cidade bonita e, do ponto de vista ambiental, muito bem protegida. A avaliação, de modo geral, é positiva, mas algumas coisas preocupam, não é? Sobre mobilidade, foi interessante ver que a população sente a necessidade de ter um bom sistema de transporte. Isso é muito importante.
Ainda sobre mobilidade, o senhor diz que há uma “questão cultural” de Florianópolis em relação aos carros, não é?
De fato, o morador de Florianópolis é muito vinculado ao automóvel. A questão da mobilidade está intrinsecamente ligada a um deslocamento de maneira tranquila, adequada e a baixo custo, mas dada à falta de transporte público, especialmente na região metropolitana, as pessoas usam carro e moto. Porque não tem como chegar em horários adequados nos destinos.
Essa é uma deficiência da cidade. Enquanto não tiver um bom sistema de transporte público, eficiente e competitivo em relação ao tempo de deslocamento, conforto, etc, a coisa realmente vai complicar.
E sinto também que cada vez mais as pessoas querem mais uma faixa de rolagem – bobagem, foi feito isso na Via Expressa e continua tudo congestionado. O carro é um bicho muito espaçoso, tendo espaço, ele toma conta.
Quando o assunto é habitação social, o senhor fala que a cidade não pode criar guetos.
Sim, a melhor forma de morar é ter uma vizinhança diversificada, não só em termos de padrões, habitacionais, apartamentos, casas, etc, mas também em função da renda.
Esse troço de criar um bairro só de habitação social é um erro tremendo. É não aprender com o que aconteceu nas décadas de 1970 e 80 com o BNH (o extinto Banco Nacional de Habitação). Aqueles monstros com 20 mil unidades todas iguaizinhas lá longe, na periferia. Mas sem transporte e serviços, nada.