O motorista Carlos Tadeu Tavares, que provocou o acidente no qual morreu o diretor de bateria da Embaixada Copa Lord Paulo Ricardo Patrício, nesta quinta-feira (15), em Florianópolis, é pai do ex-lutador do UFC, Thiago Tavares.
Ele irá passar por uma audiência de custódia a partir das 14h30 desta sexta-feira (16).
Partes da moto de Paulo Patrício na manhã desta sexta-feira (16) – Foto: Osvaldo Sagaz/NDTadeu Tavares foi autuado em flagrante por homicídio culposo e encaminhado ao presídio da Capital, onde aguarda a audiência. A reportagem do ND+ entrou em contato com o filho Thiago, às 10h30 desta sexta-feira (16), mas não teve retorno até o fechamento da matéria.
SeguirSegundo o delegado Akira Sato, coordenador da Central de Polícia da Capital, ele se recusou a soprar o bafômetro e fugiu sem prestar socorro. Ainda segundo Sato, o homem só parou o veículo porque bateu em um muro durante a fuga.
Paulo Ricardo Patrício era diretor de bateria da Embaixada Copa Lord – Foto: Redes sociais/ReproduçãoContudo, o tenente-coronel Marcus Vinicius dos Santos, do 1º BPMRv (Batalhão de Polícia Militar Rodoviária), informou que o motorista permaneceu no local o tempo todo e prestou auxílio.
Carlos Tadeu Tavares dirigia um Gol quando cortou a frente do motoboy Paulo Ricardo Patrício, segundo a PMRv – Foto: Reprodução/Redes sociaisConforme a PMRv, Paulo Ricardo trabalhava como motoboy e realizava uma entrega quando Tavares cortou sua frente na SC-404, rodovia Admar Gonzaga, no Itacorubi. Segundo a corporação, o motorista, no entanto, não apresentava sinais de embriaguez.
A versão é confrontada por testemunhas ouvidas pelo Grupo ND, as quais informaram que o motorista parecia ter ingerido bebida alcoólica.
“Ele cometeu a infração de trânsito de recusar-se a se submeter ao teste do bafômetro. É uma infração administrativa, porém, para configurar crime de trânsito, ele precisaria ter feito o teste de bafômetro, e nós termos atestado uma graduação alcoólica superior a 0,03 miligramas de álcool por litro de ar expelido, ou termos constatado a embriaguez pelo auto de constatação, o que não foi feito. As guarnições não constataram sinais de embriaguez, precisaríamos de pelo menos dois sinais. A guarnição observou que ele estava em choque”, explica o tenente-coronel Marcus Vinicius dos Santos.
O delegado Akira Sato esclarece que, por esse motivo, a Polícia Civil não investiga mais a questão da embriaguez.
“A praxe é que o policial militar que atenda a ocorrência constate algum sinal de embriaguez do condutor e lavre um auto de constatação de embriaguez. Neste caso, não foi lavrado por conta da PMRv não ter verificado esses sinais e, assim, não há razão para a Polícia Civil levá-lo ao IML (Instituto Médico Legal) para a constatação de um perito”, diz.
Protestos de motoboys
Após o acidente, uma carreata em sinal de protesto está sendo realizada por motoboys nesta sexta-feira. Há registro de ações em diferentes pontos de Florianópolis, entre eles, os bairros da Trindade e Itacorubi e, por volta de 11h, os manifestantes chegaram ao Morro da Cruz.
Motoboys realizam protesto contra morte de colega nesta sexta-feira (16) – Foto: Glaucia Oliveira/ND
Protestos de motoboys durante a manhã desta sexta-feira (16) – Foto: Jean Oliveira/ND
Motorista participará de audiência de custódia nesta sexta
De acordo com a assessoria do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), o motorista Carlos Tadeu Tavares já tem uma audiência de custódia marcada.
O ato ocorrerá a partir das 14h30 desta sexta-feira, por meio de videoconferência. Carlos Tadeu estará presente na sala passiva da Casa do Albergado.
Do outro lado, além dos representantes do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e da defesa dele, estará a juíza Andrea Studer, da 5ª Vara Criminal, da Comarca de Florianópolis.