O morador de Palhoça Maurício Borman Venzon diz que ganhou uma vida nova. Por pouco o motociclista não perde a visão ou tem o pescoço cortado. Tudo por conta de uma linha de soltar pipa que estava com cerol. O acidente foi numa rua da comunidade Frei Damião.
Motociclista leva 30 pontos e quase perde visão em acidente com cerol em Palhoça – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV“Pensei que era um bicho. Parecia o barulho de uma cigarra. Só depois que eu abri a viseira foi quando eu percebi o barulho. Daí, a linha entrou, trancou nas laterais, eu senti uma ardência. Só não perfurou o olho por pouco, foi milímetros”, contou Venzon.
O objeto cortante atingiu o rosto do motociclista, que ficou com sangue no rosto e no capacete. Ele levou 30 pontos e agora se recupera em casa, fazendo os curativos no posto de saúde do bairro.
Um motorista que passava na hora socorreu o Venzon, que em seguida foi atendido por uma ambulância do Samu e levado ao hospital. “Ele parou o carro, tirou o moletom dele, pediu para eu colocar o moletom dele para estancar o sangue. Daí, ligou umas duas vezes pro Samu. Não demorou 15 minutos, veio [o socorro]”, contou o motociclista.
Para a mãe de Venzon, Elisandra Borman, foi um milagre. Assim que ela recebeu a ligação avisando que ele tinha sido atingido pela linha com cerol, pensou o pior.
“Quando eu recebi a notícia, meu esposo já falou para eu me preparar porque ele podia estar morto. Eu já saí em desespero e ele também. Quando chegamos lá, ele tava sendo atendido pelo menino. Duas pessoas muito boas da comunidade aqui, que eu não sei o nome, mas quero agradecer. Que Deus abençoe a vida dele também”, disse Elisandra.
Em Santa Catarina, uma lei vigente desde 2001 proíbe a utilização de objetos cortantes em linhas de pipa. Inclusive, penalizando pais ou responsáveis caso o acidente tenha sido causado por uma criança ou adolescente. Se houver flagrante, a pessoa pode responder por lesão corporal ou lesão corporal seguida de morte.
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) costuma fazer um trabalho de orientação e fiscalização, principalmente na Via Expressa. Porém, é difícil flagrar as pessoas e é preciso uma conscientização de todos.
Segundo o chefe de comunicação da PRF em Santa Catarina, Adriano Fiamoncini, “é uma tradição, principalmente aqui no litoral do estado, essa brincadeira da pipa com cerol. Mas é uma tradição que tem que acabar. Passa pela conscientização dos pais de ensinarem aos filhos que é uma brincadeira séria que pode acabar em tragédia”.
A PRF dá dicas importantes de acessórios que o motociclista deve ter na moto, para evitar acidentes como esse. “Visor do capacete sempre fechado é obrigatório, de preferência uma jaqueta ou alguma roupa que proteja o pescoço e o mais fundamental de tudo: antena corta pipa. Se o motociclista transitar por vias urbanizadas, com casas e prédios às margens, a antena corta pipa é indispensável”, orientou Fiamoncini.
A Guarda Municipal de Palhoça informou que faz um trabalho de conscientização nas escolas. Inclusive, linhas com cerol já foram apreendidas durante as abordagens.
Já o presidente da associação dos moradores da comunidade Frei Damião, Vladimir Borges Ribeiro, disse que a prática é proibida no bairro. Ele também falou que é comum crianças soltarem pipas usando linha chilena e cerol, mas que é difícil controlar.
“Cerol é um problema não só de comunidade, mas de qualquer área. Isso é muito perigoso. Principalmente, quando se corta [a linha] e ela vai ao vento, vai longe. Então, não só no local em que se está praticando, mas também bem além pode acontecer esse tipo de situação”, afirmou Ribeiro.
Passado o susto, o motociclista Venzon só vai voltar a pilotar a moto quando instalar a antena que protege das linhas. “É muito triste tu ficar parado, tu depender de trabalhar por dia e não conseguir trabalhar por conta de um acidente. Às vezes, uma bobeira tua e uma arma na mão de uma criança, que é o cerol, podia ter levado a morte”, disse ele.
“Fica o alerta para os pais, que cuidem dos seus filhos, falem, aconselhem, e os motociclistas coloquem a antena. Porque ia acabar com a minha família”, pediu Elisandra.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.