‘Se a BR parou, nós paramos’: trabalhadores relatam caos após deslizamento na BR-376

Trabalhadores de estabelecimentos ao longo da rodovia relatam como foi o momento do deslizamento e como se encontra a situação de quem depende da BR-376 para trabalhar

Foto de Ada Bahl

Ada Bahl Florianópolis

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Funcionários e autônomos de estabelecimentos na marginal da BR-376, em Guaratuba, no Paraná, sofrem com os impactos do fechamento da estrada que chega ao terceiro dia nesta quinta-feira (1º). A encosta do morro desmoronou na tarde de segunda (28) e a rodovia segue bloqueada desde então.

Trabalhador conta como foi o momento do deslizamento em Guaratuba, no Paraná – Foto: Reprodução/NDTrabalhador conta como foi o momento do deslizamento em Guaratuba, no Paraná – Foto: Reprodução/ND

O repórter Nader Khalil, da RIC TV do Paraná, conversou com alguns funcionários de estabelecimentos que dependem do fluxo de veículos no local para trabalhar. O mecânico Rodrigo de Souza Barbosa, relata que no dia chovia muito e muitos automóveis percorriam o trajeto.

“Muita chuva. O primeiro desmoronamento foi por volta das 14h, no lado que desce do Paraná para Santa Catarina. Depois liberaram na parte da noite e teve o outro deslizamento. Tinha bastante movimento na hora, não tenho dúvida de que tenha muita gente soterrada por ali”, conta o mecânico.

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Rodrigo ainda pontua que no trecho “sempre houve deslizamentos”. Ele relata, com pesar, que o fechamento da estrada deixou a situação para os comerciantes da região “muito difícil”.

O guincheiro Rudnei Angioletti também descreve um cenário parecido. Ele relata que, no momento da queda, havia um intenso fluxo de veículos no local. “Estava muito movimentado. Tinham muitos caminhões. Acho que o número de vítimas pode realmente chegar a 30 como estão falando”, esclarece.

Rudnei Angioletti confirma possibilidade de 30 vítimas no soterramento – Foto: Nader Khalil/RICTV/Divulgação/NDRudnei Angioletti confirma possibilidade de 30 vítimas no soterramento – Foto: Nader Khalil/RICTV/Divulgação/ND

Angioletti não participou da retirada do veículo atingido pelo primeiro deslizamento. Segundo ele, o grupo passou pelo local, mas a PRF (Polícia Rodoviária Federal) já se encontrava fazendo a remoção da carreta atingida.

Outro que narra a difícil situação dos trabalhadores da região é o borracheiro Reginaldo Pereira de Andrade. “Nós dependemos da BR. Se a BR parou, nós também paramos. Dependemos todos dela para sobreviver”, declara preocupado.

O autônomo Reginaldo Pereira lamenta deslizamento na BR-376 – Vídeo: Nader Khalil/RICTV/Divulgação/ND

Além dos comerciantes, o bloqueio da rodovia impacta também no trabalho dos caminhoneiros, que dependem do trajeto para realizar o transporte de carga. Como o motorista Renato do Rossio, que está parado com a mercadoria no local desde segunda-feira.

Ele relata que, pela balsa, só atravessam veículos vazios e após as 22h. “Nesse caso, não compensa dar a volta pela SC-470”, diz. Com as questões de necessidades básicas, ele tem recebido ajuda dos trabalhadores locais.

“O mecânico que está cedendo comida para nós. Café da manhã, almoço e janta. Se não eu ia ficar perecendo aqui sem comida. Agora, para eu sair daqui, só Deus sabe”, confessa.

Motorista Renato do Rossio conta estar recebendo ajuda dos comerciantes desde segunda-feira (28) – Vídeo: Nader Khalil/RICTV/Divulgação/ND

Deslizamento na BR-376

Um grande deslizamento de terra na noite desta segunda-feira no km 669 da BR-376/PR, em Guaratuba, interditou a rodovia em ambos os sentidos. O trecho liga o estado do Paraná a Santa Catarina.

Em entrevista à RIC TV, o superintendente executivo da PRF, Davi Rogério Arigas, falou sobre o trabalho no local: “Conversando com engenheiros, ainda é cedo para uma previsão assertiva, mas em torno de quatro a cinco dias.”

Equipes trabalham na limpeza da pista e no resgate de vítimas – Foto: Luciano Chinasso/RICTVEquipes trabalham na limpeza da pista e no resgate de vítimas – Foto: Luciano Chinasso/RICTV

Arigas conta que cerca de 100 metros de pista foram atingidos pela terra e que os trabalhos são difíceis no local devido à possibilidade de novos deslizamentos. A chuva é constante na região.

Bombeiros estimam 30 vítimas

O deslizamento teria atingido as equipes que estavam limpando a pista de um primeiro desmoronamento na região, quando foram atingidos por outro deslizamento em maior proporção. Carros que estavam parados na pista teriam sido atingidos e até soterrados.

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná estima que cerca de 30 vítimas estão soterradas após o deslizamento. Duas mortes foram confirmadas.

Cães de busca ajudam a localizar vítimas no local – Vídeo: Governo do PR/Divulgação

Na manhã desta quarta-feira (30), os bombeiros começaram a usar câmeras térmicas, que detectam o calor mesmo abaixo da terra, para tentar encontrar possíveis sobreviventes. Apesar disso, nenhuma vítima foi localizada dessa maneira até o momento, até porque a chuva atrapalha o uso do dispositivo.

A Polícia Científica do Paraná informa que recebeu 19 contatos sobre pessoas possivelmente desaparecidas no local – alguns sobre uma mesma pessoa. O órgão entrevistou as famílias para que, após a localização das vítimas, seja mais fácil identificá-las.