Os bloqueios e manifestações nas rodovias federais e estaduais por todo o país estão causando transtornos em diversos setores da sociedade. Os postos de combustíveis estão ficando desabastecidos, atendimentos médicos e hospitalares estão sendo prejudicados, aulas precisaram ser canceladas e milhares de trabalhadores estão sendo impedidos de chagar aos seus locais de trabalho.
Passageira de ônibus parado em barreira de Indaial passou mal e Samu preciso ser acionado – Vídeo: Divulgação/Daniela Mattiello/ND
Uma dessas pessoas é a fisioterapeuta Daniela Mattiello, de 32 anos. Ela entrou em contato com o Portal ND+ para relatar sua história. Ela ficou de domingo (30) até a noite desta terça-feira (1°) fora de casa por causa dos bloqueios. A fisioterapeuta mora em Florianópolis, mas é natural de Xaxim, no Oeste do Estado. No domingo ela foi de ônibus até a cidade natal para votar e não conseguiu mais voltar para casa. O ônibus em que ela estava foi parado na barreira de Indaial, no Vale do Itajaí. “Praticamente todo o ônibus foi votar. Fomos exercer a cidadania e estamos presos. Sem contar em ficar sem trabalhar, eu, por exemplo, sou autônoma”, destacou.
SeguirEla ainda contou que o ônibus conseguiu passar por três barreiras antes de ficar preso em Indaial. “Nós conseguimos passar por uma três barreiras antes de sermos parado na barreira de Indaial e foi uma viagem tensa nesse sentido. Nós ficamos das seis horas da manhã até praticamente às cinco da tarde parados ali na barreira de Indaial. Conseguimos negociar com os manifestantes para por o nosso ônibus no posto e ali nós tivemos um acesso um pouco melhor do que a maioria dos outros ônibus e carros que estavam levando bastante gente, porque no posto tivemos acesso a comida, água, banheiro, etc”, relata.
Daniela ainda conta que uma passageira que estava no ônibus passou mal e teve que ser atendida pelo Samu, mesmo assim os manifestantes não permitiram a passagem. “Ela tem um diagnóstico de doença psicossomática e começou a ter uma crise de pânico no ônibus e foi preciso chamar o Samu. O marido dela estava em contato com os motoristas, mas ele só prestaram uma assistência rápida para ela e não conseguiram levar ela a lugar nenhum”, destacou.
A catarinense relata que de segunda para terça, os passageiros resolveram se hospedar em um hotel. “Como o clima estava ficando tenso, insuportável e desumano viemos para um hotel. A sensação que a gente tem é de muito abandono. É um absurdo estar fora de casa e não ter assistência nenhuma como esta acontecendo com a gente”, diz, destacando que todas as despesas com a hospedagem e com alimentação estão sendo pagas pelos próprios passageiros.
Passageiros ficaram presos na barreira de Indaial – Foto: Arquivo pessoal/Daniela Mattiello/NDNesta terça-feira, Daniela contou que ela e outras duas pessoas optaram por ir para casa, porém, o caminho não foi fácil. “Nós percebemos que os ânimos estavam piorando e optamos por tentar sair de lá por conta, porque nós ligamos para a empresa de ônibus e eles disseram que a responsabilidade não era deles”.
“Nós saímos de Indaial por umas nove horas da manhã, pegamos um Uber que nos levou até a primeira barreira, em Gaspar. Em Gaspar nós atravessamos a barreira andando e depois conseguimos carona com uma moradora local que nos levou até Brusque. Em Brusque nós pegamos um Uber que nos levou por três horas de estrada de chão por Angelina e daí nós paramos em São Bonifácio. De lá, nós pegamos outro Uber que nos levou até Florianópolis”, relembrou.
Daniela e outras duas pessoas resolveram pegar Uber para tentar chegar em casa – Foto: Arquivo pessoal/Daniela Mattiello/NDA fisioterapeuta destaca que nesta “jornada” para conseguir voltar para casa contou com a ajuda de muita gente boa. Ela também destacou que ficou dois dias sem atender, além disso, nas despesas com hotel, alimentação e Uber, ela calcula que tenha gastado cerca de R$ 1 mil que não estavam previstos quando saiu de casa para votar.