A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (25), o texto-base da MP (Medida Provisória) que prorroga o prazo de reembolso e remarcação de passagens para voos cancelados durante a pandemia da Covid-19.
A proposta foi aprovada de forma simbólica, e os deputados vão analisar agora os destaques – sugestões que podem mudar a redação final.
O reembolso poderá ser feito em 12 meses a contar da data do voo cancelado – Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília/Divulgação/NDEditada pelo governo no fim do ano passado, a proposta estendia a validade das regras aprovadas no ano passado até 31 de outubro. Os deputados, porém, decidiram aumentar o prazo até 31 de dezembro deste ano. O reembolso poderá ser feito em 12 meses a contar da data do voo cancelado, sem multa.
SeguirO relator, delegado Pablo (PSL-AM), acatou ainda sugestão do governo e da ANEEA (Associação Nacional das Empresas Administradoras de Aeroportos) para permitir às concessionárias anteciparem o pagamento das contribuições fixas anuais ao FNAC. Segundo o deputado, o câmbio permitira um alívio no fluxo de caixa das empresas e uma receita de R$ 8 bilhões ao fundo neste ano.
Pela proposta, o cálculo do valor presente das contribuições fixas deverá adotar a taxa vigente do fluxo de caixa marginal adotada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para processos de revisão extraordinária, acrescida de 5 pontos porcentuais caso no mínimo 50% do valor total remanescente a ser pago seja antecipado.
“De acordo com os proponentes, a atual taxa de câmbio é muito favorável aos investidores estrangeiros, qualificação dos principais acionistas das SPE (sociedades de propósito específico) que controlam aeroportos sob concessão. Ora, sendo permitida a antecipação das contribuições, esses investidores podem tomar recursos a baixo custo no exterior e internalizá-los para a quitação das obrigações vincendas com a União, em reais.”
O líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), defendeu a proposta e disse que a entrada de recursos vai possibilitar ao governo quitar dívidas e vender sua participação em aeroportos que foram privatizados nos últimos anos.
Jabuti retirado
A pedido do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), determinou a retirada uma matéria estranha à MP – conhecida como jabuti – que havia sido incluída no projeto a pedido do governo.
O Ministério da Infraestrutura havia sugerido ao relator que incluísse no relatório autorização legislativa para a contratação de parceria público-privada para a administração de oito aeroportos no Estado do Amazonas: Parintins, Carauari, Coari, Eirunepé, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Lábrea e Maués.
Deputados vão analisar agora os destaques do texto-base da MP – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Divulgação/NDTodos esses aeroportos já foram qualificados no âmbito do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) e incluídos no Programa Nacional de
Desestatização. A autorização legislativa era necessária porque a modelagem econômico-financeira recomendava a modalidade de concessão patrocinada, na qual pelo menos 70% da remuneração do parceiro privado viria de contraprestação pecuniária da administração pública.