Diretor-geral da ANTT é cobrado sobre entrega parcial do Contorno Viário de Florianópolis

Após questionamentos no Senado, empresários do setor industrial e do segmento de transporte de carga, que têm prejuízos na produtividade e no custo operacional, cobram entrega no prazo, em dezembro

Nícolas Horácio Florianópolis

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O diretor geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Rafael Vitale Rodrigues, participou de uma audiência, na terça-feira (8), na Comissão de Infraestrutura do Senado sobre a infraestrutura de transporte no Brasil e foi cobrado pelo senador Esperidião Amin (PP) em relação ao Contorno Viário de Florianópolis, obra que a ANTT fiscaliza.

Contorno Viário da Grande Florianópolis – Foto: Arteris/Divulgação/NDContorno Viário da Grande Florianópolis – Foto: Arteris/Divulgação/ND

Amin questionou o que significa a liberação parcial da obra, prevista para 20 de dezembro, como informado pelo próprio Vitale na última quinta-feira.

Para o senador, o atraso de 11 anos da obra é um insulto a Santa Catarina. Ele também cobrou uma visita do diretor à obra. A possibilidade de novos atrasos também preocupa entidades como Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) e Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Santa Catarina).

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A audiência no Senado tinha o objetivo de debater o plano de atuação da ANTT referente ao atual cenário da infraestrutura no Brasil e o papel da agência para o desenvolvimento do setor. O encontro ocorreu por requerimento do senador Confúcio Moura (MDB-RO).

Depois da apresentação de Rodrigues sobre a atual operação da agência, abriu-se um tempo para as perguntas e foi quando Amin questionou o diretor sobre o contorno. Tentando entender o que será a entrega parcial da obra, o senador celebrou a manutenção do prazo de dezembro para a liberação do tráfego, mesmo que os trabalhos não estejam totalmente concluídos.

Rodrigues respondeu que a obra é extensa – mais de 50 km – e se divide em três partes.

“O dispositivo Sul, o dispositivo Norte, que liga o Contorno Viário à BR-101, e um dispositivo intermediário, do entroncamento com a BR-282. Como a obra está com mais de 80% de avanço físico e tem um atraso mais relevante nos últimos 3 km do dispositivo Sul, o que conseguimos projetar é que o dispositivo Norte de interseção com a BR-101 – praticamente uns 45km de estrutura viária – até a interseção com a BR-282 e, depois, a BR-282 voltando para a BR-101, poderia liberar o tráfego nesse trecho em dezembro”, afirmou o diretor da ANTT.

Amin complementou o diretor frisando que a liberação seria entre o extremo Norte [Inferninho] até o Alto Aririú, no encontro com a BR-282, e fez um pedido. “Vá lá dar uma ‘empurradinha’ este mês”. O diretor disse que está programando uma visita e que se não for vai mandar a equipe. Amin interrompeu e enfatizou. “Não, nós queremos que o senhor vá” e Rodrigues respondeu que se não for em agosto, vai em setembro.

“É compromisso meu, já firmei com você”, disse o diretor. O senador voltou a afirmar que é importante continuar com a fiscalização. “Fazemos um apelo para a persistência de toda a ANTT mobilizada, para reduzir esse sofrimento terrível que já foi considerado por todos nós um insulto a Santa Catarina”, declarou Amin.

Entrega parcial gera impactos

Presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar disse que, mais uma vez, Santa Catarina fica prejudicada com a não conclusão do contorno. Ele também comentou a promessa de entrega parcial em dezembro.

“Poderá trazer algum benefício, principalmente para a região de São José, mas vai trazer um grande problema para a BR-282, que já é uma rodovia comprometida e que vai impactar quem utiliza a rodovia”, ponderou o industrial.

O presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider, lembrou que o contorno é uma obra aguardada há muito tempo pela comunidade na Grande Florianópolis e pelo segmento do transporte rodoviário de cargas.

Para ele, a possibilidade de um novo atraso é altamente preocupante, principalmente por conta do agravamento do custo operacional em função da fluidez do trânsito.

“Temos uma velocidade média reduzida na ordem de 30 km/h nesse trajeto, o que impacta na produtividade e no custo operacional do setor. É importante que as autoridades e a concessionária façam todos os esforços para que os prazos sejam cumpridos. Aguardamos essa obra para dezembro de 2023 e que possamos minimizar as consequências decorrentes desse atraso de mais de dez anos”, salientou o empresário.

“Fica o apelo do segmento de transporte de cargas para que se cumpra o prazo assumido e que possamos ter essa importante obra entregue”, completou Schneider.

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