Blumenau tem 391 cobradores de ônibus ativos no transporte coletivo. O futuro dos profissionais que atuam na cobrança das passagens e no controle de embarque e desembarque será colocado em discussão pelo Prefeitura Municipal. De acordo com o secretário de Trânsito e Transportes de Blumenau, Alexandro Fernandes, um projeto deve ser apresentado ao Poder Legislativo em breve, e que deve retirar os trabalhadores de algumas linhas de ônibus.
Transporte coletivo de Blumenau – Foto: Marcelo Martins/Prefeitura de BlumenauEm vigor desde 2003, a Lei nº 6395 diz que “As empresas permissionárias do Transporte Coletivo Urbano deverão manter, mesmo após a implantação do sistema eletrônico de passagens, 2 (dois) funcionários (motorista e cobrador) trabalhando dentro de cada ônibus, devendo o cobrador auxiliar o motorista e os usuários no critério de segurança e fiscalizar os benefícios e isenções”.
Porém, conforme o próprio secretário, com a presença da tecnologia, hoje com o bilhetagem eletrônica, não há necessidade dos profissionais estarem em todos os veículos, em todas as linhas da cidade.
SeguirFernandes ressalta que o intuito da discussão não é excluir a função de cobrador de ônibus, e sim requalificar e readequar os profissionais. “Os cobradores hoje custam para o sistema mais de R$ 15 milhões. Naturalmente fazem suas funções e nós não estamos aqui trazendo uma situação para eliminar essas funções e sim para trabalhar de uma forma mais organizada de requalificar, readequar, de transformá-los em motoristas, por exemplo, ou fazer com que a empresa dê cursos para que eles possam buscar outras atividades, possam crescer nas suas vidas profissionais”.
Ele explica que o intuito é discutir se essa função é necessária em toda a estrutura do transporte coletivo ou se é possível readequar os profissionais dentro de um plano de trabalho. “Não é uma demissão em massa, não é uma demissão imediata, mas é um plano de trabalho para um, dois, três ou quatro anos e a gente possa dar ainda uma condição de trabalho melhor pra esses profissionais”.
Qual o plano da Prefeitura Municipal em relação aos cobradores de ônibus?
Para colocar em prática, um plano de trabalho foi desenvolvido pela equipe técnica da Secretaria de Trânsito de Transportes de Blumenau. Um trabalho foi feito em conjunto com a BluMob, concessionária responsável pelo transporte coletivo no município.
“Passamos algumas missões para que nos apresentem também modelos de outros municípios, onde já existe essa atividade. Nós temos, por exemplo, situações aqui em Santa Catarina como a de Joinville, que também já não utiliza o cobrador em suas linhas de ônibus. (…) Agora precisamos colocar isso em discussão com a sociedade para a partir do início do ano, sim, definirmos qual é o entendimento, qual vai ser o encaminhamento e possamos junto com Câmara de Vereadores, com entidades de classe, com a sociedade, discutir e evoluir nesse assunto”, pontuou o secretário de Trânsito e Transportes de Blumenau, Alexandro Fernandes.
O secretário revela que uma análise inicial aponta que de 30 a 40% das linhas não precisariam de cobradores de ônibus. “São linhas alimentadoras, linhas com micro-ônibus, diversos horários de menor fluxo de pessoas, como entre os horários de pico e à noite”.
Segundo ele, 90% das pessoas utilizam a bilhetagem eletrônica em Blumenau. Os cobradores hoje custam para o sistema mais de R$ 15 milhões, segundo informação repassada pelo secretário de Trânsito e Transportes.
Em Blumenau, 90% das pessoas utilizam a bilhetagem eletrônica – Foto: Divulgação/Prefeitura de Blumenau“Naturalmente nós temos o posto de atendimento e de serviço nos terminais também, que precisarão ser mantidos, então não é uma eliminação de 100%, da função, mas sim uma racionalização da atividade, uma condição melhor para os profissionais no futuro e uma reprogramação de onde os investimentos serão feitos daqui para frente também”.
Fernandes ainda coloca que mesmo sendo um assunto polêmico, o município precisa recolocar a pauta. “Nós temos que pensar que estamos em uma cidade com 360 mil habitantes, que nós temos 80 mil pessoas diariamente utilizando o transporte coletivo e temos 391 profissionais que atuam nessa função, muitas vezes em linhas em horários com 4 ou 5 passageiros. Então são essas coisas que a gente tem que trazer para a discussão e naturalmente, nós precisamos sim, fazer com que esses profissionais possam ser readequados em outras atividades, sem perder a condição de atendimento às pessoas. Nós temos diversas situações no Brasil, que isso já se mostrou e funciona”.
O que diz o sindicato da categoria?
Para Osnir Schmitt, presidente do Sindetranscol (Sindicato dos Empregados do Transporte Coletivo Urbano), tirar o cobrador de ônibus pode impactar na qualidade do transporte coletivo.
“Isso implica em todo o atraso de linha, atraso de horário em várias situações. Então a função no qual a gente qualificou esse trabalhador aqui dentro do sindicato, é para isso. Pra atender a população, o usuário do transporte, para dar uma melhor qualidade ao transporte público. Hoje estamos preparando, inclusive com o curso de libra, para atender todo tipo de população que o uso do transporte público aqui dentro de Blumenau.”.
De acordo ele, o sindicato não foi procurado sobre o assunto e que “jamais vai permitir ou aceitar retirada de mais trabalhadores do transporte público para piorar ainda mais a qualidade do transporte. Nosso sindicato sempre fez essa luta e nós não vamos aceitar que tire mais trabalhadores que já perdemos. Durante a pandemia, 200 trabalhadores não foram chamados de volta, em torno de 100 cobradores e 100 motorista não voltaram mais para o sistema”.