Prefeitura assina decreto de emergência após empresa suspender transporte público em SC

Coletivo, que opera em Canoinhas desde 1969, afirma que decisão se dá por causa da baixa no fluxo de passageiros

Foto de Mariana Costa

Mariana Costa Joinville

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Após o Coletivo Santa Cruz anunciar a suspensão do transporte público em Canoinhas, no Planalto Norte catarinense, a prefeitura da cidade precisou assinar um decreto de situação de emergência para garantir a continuidade do serviço. O caso gerou preocupação em moradores nesta sexta-feira (25).

Transporte público em Canoinhas (SC)Prefeitura de SC assina decreto de emergência após empresa suspender transporte público – Foto: JMais/Coletivo Santa Cruz/ND

Suspensão foi anunciada nos ônibus e redes sociais

O anúncio da suspensão do transporte foi exposto dentro dos veículos da frota do Santa Cruz, que opera na cidade desde 1969. No comunicado, a empresa afirma que “a partir de segunda-feira, dia 27/01/2025, está suspensa a prestação do transporte coletivo municipal.” A mensagem é a mesma compartilhada na internet.

Em resposta à reportagem do portal JMais, o diretor do coletivo, Rodrigo Dams, afirmou que a decisão foi tomada por causa do baixo número de passageiros. Para manter o negócio sustentável, o fluxo mensal precisaria ser de 75 mil pessoas usando o transporte, no entanto, o número atual é de 15 mil.

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Segundo Dams, a empresa discute com o município, desde dezembro, uma forma de manter a frota de cinco linhas operando normalmente. Porém, a prefeitura e a empresa não teriam chegado a um acordo, conforme o diretor.

A direção do Coletivo Santa Cruz ainda explica que, mesmo aumentando a tarifa do transporte público em 50% – o que significaria um valor de R$ 6 -, não seria suficiente para manutenção do serviço. “Não sei o que vai acontecer, porque é insustentável. Estamos afundando cada vez mais”, disse Dams.

Manutenção do transporte público

Procurada pela reportagem do portal ND Mais, a Prefeitura de Canoinhas afirmou que o transporte público continuará funcionando, mesmo após a empresa responsável informar que não tem mais interesse em operar as linhas.

“Com o decreto, o município está realizando a intervenção da empresa Coletivo Santa Cruz para garantir que a população tenha o serviço público até que uma nova prestadora seja contratada”, informou a prefeitura.

A administração municipal ainda afirmou que a direção da empresa ficará sob responsabilidade de uma comissão de intervenção e que as tarifas continuam sem alteração.

Crise e Et Pater Filium

Ainda de acordo com o JMais, a crise da empresa se agravou ainda mais com o escândalo da operação Et Pater Filium. Segundo a apuração do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), a empresa Transportes Santa Cruz, pertencente aos mesmos proprietários do Coletivo, pagava propina para afastar concorrentes em processos licitatórios e superfaturava itinerários do transporte escolar. Desde o ano passado, a Transportes Santa Cruz não opera mais na região.

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