A Câmara de Vereadores de Itajaí adiou na última quarta-feira (24) a aprovação do Promobis, projeto da AMFRI (Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí) de interligação entre as cidades do Litoral Norte Catarinense por ônibus elétricos, preocupando o grupo de trabalho. Caso os prazos de homologação expirem, ele pode voltar à “estaca zero” e cair.
Trajeto rápido entre cidades do PROMOBIS será feito por ônibus elétricos. – Foto: Divulgação/AMFRIO receio é porque o programa precisa cumprir diretriz da Cofiex (Comissão de Financiamentos Externos), que aprovou a operação de crédito em dezembro de 2021. A entidade determina dois anos para que a estruturação, de quatro etapas, seja concluída. Resta somente a última, que é a negociação com órgãos do Governo Federal.
Nesta fase, sentam-se o governo, órgão financiador (Banco Mundial) e órgão mutuário, que é o consórcio da AMFRI. Para que essas discussões ocorram, é necessário a autorização de Balneário Camboriú, Itajaí e Navegantes, os mais envolvidos no PROMOBIS. No entanto, Itajaí ainda não deu essa aprovação.
SeguirA expectativa era de que a cidade assentisse em segunda discussão na câmara, mas o vereador Odivan Linhares “Mamão” (PSB) pediu vista por duas sessões. Balneário Camboriú autorizou em setembro e Navegantes, em agosto. Caso a data limite seja estourada, o programa cai por terra.
PROMOBIS conceberá túnel imerso entre Itajaí e Navegantes. – Foto: X1 Arquitetos/Amfri/Divulgação/ND“O promotor é o Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da região da AMFRI. É como se fosse uma autarquia de cada um dos municípios que o compõem”, explicou João Luiz Demantova, Coordenador da Unidade de Controle Transitória do PROMOBIS, ao ND+.
“Essa é a primeira operação de crédito de forma consorciada aprovada no País pela Cofiex, é um piloto em nível de Brasil. Normalmente, essas operações envolvem apenas um ente da federação, então, é aprovada só na Câmara de Vereadores. Por ser uma operação consorciada, precisa de três”, continuou, falando sobre a autorização conjunta das cidades.
Encaminhamento do Promobis depende de negociações com o Governo Federal
Assim que o Promobis for aprovado, seguirá para a fase de negociações em Brasília com a STN (Tesouro Nacional), PGFN (Procuradoria-geral da Fazenda), Cofiex, órgão financiador e mutuário, para discutir os empréstimos e, após isso, haverá série de procedimentos até chegar ao Senado Federal. Segundo João Luiz, o programa não deve ter problemas nessa etapa.
“Já fizemos alguns estudos”, disse o coordenador do projeto. “A STN estuda a capacidade de endividamento dos municípios, e eles passam em todos os índices estabelecidos. Também discutimos previamente as minutas das leis autorizativas com a PGFN, então, estão de acordo com as normas estipuladas”.
“O Senado é uma etapa necessária, mas não vejo dificuldades de ter essa aprovação”, complementou. Caso os senadores autorizem o Promobis, a execução deve começar em junho ou julho de 2024, até estar pronto para uso no primeiro semestre de 2025.
PROMOBIS deve melhorar significativamente mobilidade urbana entre cidades do Litoral Norte Catarinense. – Foto: Divulgação/AMFRIEntenda como funcionará o Promobis
O programa é composto por três componentes: sistema de transporte coletivo elétrico regional, um túnel imerso entre Itajaí e Navegantes e obras de mobilidade ativa e micro mobilidade elétrica em Balneário Camboriú. O investimento total é de US$ 120 milhões (cerca de R$ 600 milhões em conversão direta).
O Promobis será operado em três subsistemas, o sul, que ligará Bombinhas, Porto Belo, Itapema e Camboriú; o central, por Camboriú, Balneário Camboriú, Itajaí e Navegantes; e o norte, por Navegantes, Penha e Balneário Piçarras. Haverá ainda mais duas linhas pontuais, de Navegantes a Luiz Alves e de Itajaí a Ilhota.
Com esse transporte, deverá ser possível ir do Aeroporto de Navegantes a Balneário Camboriú em cerca de 25 minutos ou até o Beto Carrero World, em Penha, em 10 minutos, com apenas uma passagem. De Bombinhas a Balneário Piçarras, por exemplo, levará aproximados 50 minutos.