Semana começa com novas demissões no transporte coletivo em Blumenau

Sindicato da categoria diz que 25 profissionais aderiram ao plano de demissão voluntária, porém aponta que 450 foram convocados a comparecer na empresa nesta segunda-feira

Talita Catie Blumenau

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A semana começou com novas demissões na Blumob, concessionária do transporte coletivo de Blumenau. Segundo o sindicato da categoria, cerca de 25 funcionários aderiram ao novo plano de desligamento voluntário, proposto pela empresa na última quarta-feira (22).

Sindicato passou a manhã em frente à Blumob orientando funcionários – Foto: Talita Catie/NDSindicato passou a manhã em frente à Blumob orientando funcionários – Foto: Talita Catie/ND

Porém, o Sindetrancol alega que cerca de 450 motoristas e cobradores foram convocados, no domingo (26), a comparecer na Blumob no decorrer desta segunda-feira (27).  Para evitar demissões em massa, a diretoria do sindicato passou a manhã em frente à sede da empresa orientando os funcionários.

A recomendação era para que entrasse na empresa apenas aqueles que, de fato, estavam interessados em deixar o serviço. Foi o caso de Paulo Benatti, de 57 anos. Após uma década como motorista e com a aposentadoria finalmente aprovada, ele optou por aceitar a demissão. “Saí pensando na minha saúde”, afirma o agora ex-colaborador.

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Paulo Benatti aderiu ao plano de demissão voluntária – Foto: Talita Catie/NDPaulo Benatti aderiu ao plano de demissão voluntária – Foto: Talita Catie/ND

Entretanto, a situação não foi igual para Irene Eifler, de 67 anos. Cobradora há 12 anos, a idosa conta que no domingo às 10h recebeu a convocação da Blumob. Chegou à empresa e recebeu a informação de que estava demitida. Ela não concordou e se negou a assinar os documentos, mesmo assim foi informada de que o contrato encerra em 30 dias.

Nesse período, se houver o retorno do transporte coletivo, Irene foi informada de que deve voltar a trabalhar até o cumprimento dos dias de aviso prévio. Depois disso, não faz mais parte do quadro de funcionários. Doente e aguardando por uma cirurgia de hérnia, ela desabafa: “meu Deus, eu trabalho porque preciso, tenho muitos remédios para comprar”.

Era possível outra medida, diz sindicato

O Sindetranscol questiona o motivo de a empresa não usar alternativas apresentadas pelo governo federal para a manutenção dos empregos, como suspender alguns contratos. Segundo Ari Germer, diretor da entidade, até o momento a Blumob aderiu à redução de jornada e salário na ordem de 70%.

Os ônibus pararam de rodar em Blumenau no dia 19 de março e só voltaram a circular praticamente três meses depois, em 15 de junho. Ainda assim, com apenas 50% da frota operando e redução de passageiros por veículo em 60%.

Porém, como houve aumento significativo de casos do novo coronavírus na cidade, o serviço foi interrompido novamente no dia 14 de julho. Com um novo decreto do governador Carlos Moisés, que entrou em vigor nesta segunda-feira (27), a suspensão do serviço segue, pelo menos, até 9 de agosto.

Contraponto

A reportagem do nd+ tentou contato duas vezes com o diretor da Blumob, mas não obteve retorno. A assessoria de empresa também foi contatada, mas não retornou até a publicação.

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