Os trabalhadores do transporte público de Florianópolis decidiram, nesta segunda-feira (6), rejeitar a proposta patronal. Dessa forma, uma reunião na noite desta terça-feira (7) pode confirmar o início da paralisação da categoria.
Ônibus podem parar a partir de quarta-feira (7), caso trabalhadores e setor patronal não entre em acordo – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Divulgação/NDDe acordo com o Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros Urbano, Rodoviário, Turismo, Fretamento e Escolar de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis), a nova proposta foi rejeitada durante assembleia da tarde desta segunda-feira por ampla maioria.
Por conta disso, os trabalhadores se propuseram em seguir negociando e marcaram uma assembleia às 22h desta terça-feira (7). Em contato com a reportagem do ND+, a adoção da greve ou não será decidida nesta reunião.
SeguirPor meio de nota, a prefeitura de Florianópolis se manifestou sobre a greve afirmando que está aportando recursos através de subsídios diretos para manter seu funcionamento, principalmente pelos impactos da pandemia.
“Atualmente o volume de passageiros ainda é bastante inferior ao que era antes da pandemia. Vale destacar que, das cinco empresas que operam hoje na Capital, quatro enfrentam sérios problemas financeiros, em recuperação judicial, em virtude dos impactos econômicos da pandemia”, complementa a prefeitura por meio de nota.
Em contato com a reportagem do ND+ o Setuf (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis) e o Consórcio Fênix, composto pela união das empresas de transporte coletivo Canasvieiras, Emflotus, Estrela, Insular e Transol, afirmaram que irão se manifestar apenas após a assembleia da noite desta terça-feira.
Por volta das 21h desta segunda-feira, o Metropólis (Associação das Empresas de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis) enviou uma nota informando que é contrária à greve dos trabalhadores.
Em nota assinada pelo presidente do conselho administrativo, Leo Mauro Xavier Neto, a associação destacou que não recebe qualquer valor ou subsídio do Estado de Santa Catarina.
Além disso, o Metropólis confirmou que vai acionar a justiça do trabalho para “garantir o direito da população ir e vir, buscando que seja assegurada a circulação de pelo menos 70% da frota de veículos e a proibição de trancamento de garagens e terminais, que já são práticas conhecidas do Sintraturb”.
Por fim, associação destaca que “o reajuste dos trabalhadores do transporte coletivo é transferido para a tarifa de ônibus, que é paga por empregadores e pela população em geral”.
Os trabalhadores entraram em estado de greve por conta de reivindicações dos trabalhadores como, por exemplo, aumento salarial e do ticket da categoria, que está há três anos sem reajuste, conforme repassado pelo sindicato.
Veja a nota do Sintraturb na íntegra:
Assembleia em duas sessões apreciou e rejeitou, por ampla maioria, a última proposta patronal. Diante disso, a Diretoria propôs-se a continuar negociando e chamar nova Assembleia para esta terça, dia 07/06, às 22 h, o que foi aprovado por unanimidade. Assim, é amanhã o momento da decisão. Venha decidir seu futuro, não permita que decidam por você.
Veja a nota da prefeitura de Florianópolis na íntegra:
Embora o transporte público coletivo seja uma concessão, operada por um consórcio privado desde 2014, a Prefeitura tem aportado recursos através de subsídios diretos para manter seu funcionamento, especialmente pelos impactos da pandemia no funcionamento do sistema.
Atualmente o volume de passageiros ainda é bastante inferior ao que era antes da pandemia. Vale destacar que, das cinco empresas que operam hoje na Capital, quatro enfrentam sérios problemas financeiros, em recuperação judicial, em virtude dos impactos econômicos da pandemia.
Até o momento as ações da Prefeitura têm sido no sentido de evitar o colapso do transporte público e o município segue realizando os esforços necessários para evitar que a população seja prejudicada.
Veja a nota do Metropólis na íntegra:
Através desta é que a ASSOCIAÇÃO DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS DA REGIÃO METROPOLITANA DE FLORIANÓPOLIS – METROPÓLIS – INFORMA QUE É TOTALMENTE CONTRÁRIA À GREVE IMPOSTA PELO SINTRATURB – Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano da Grande Florianópolis.
As empresas intermunicipais não recebem qualquer valor ou subsídio do Estado de Santa Catarina e as tarifas ficaram sem reajuste por 19 meses, tendo ocorrido reajuste de apenas 1,62%, em março 2022.
Mas mesmo assim, sensíveis à situação dos trabalhadores, as empresas intermunicipais ofertaram reajuste DEZ VEZES MAIOR QUE O REAJUSTE DA TARIFA, de 15% no salário e no vale-alimentação, que já é um dos mais altos da maioria dos órgãos públicos ou empresas privadas da grande Florianópolis.
Assim, diante do impasse gerado pelo SINTRATURB, que pôs fim às negociações e anunciou o início da greve a partir de 08.06.22, outra alternativa não resta às empresas intermunicipais senão a de ACIONAR A JUSTIÇA DO TRABALHO PARA GARANTIR O DIREITO DA POPULAÇÃO IR E VIR, buscando que seja assegurada a circulação de pelo menos 70% (setenta por cento) da frota de veículos e a proibição de trancamento de garagens e terminais, que já são práticas conhecidas do SINTRATURB.
O momento é de retomada da economia, de todos os setores, cujas empresas e funcionários não suportam mais qualquer aumento de custo, lembrando que o reajuste dos trabalhadores do transporte coletivo é transferido para a tarifa de ônibus, que é paga por empregadores e pela população em geral.
Por isso que a METROPÓLIS solicita que o SINTRATURB repense sua decisão e no decorrer do dia 07.06.2022 comunique a desistência da greve, na certeza de ser a atitude necessária para a continuidade da atividade das empresas e a preservação dos postos de trabalho atualmente preenchidos.