Um dos impactos mais significativos da pandemia do novo coronavírus foi a mudança nas relações de trabalho em diversas profissões. Se antes a atividade presencial parecia ser indispensável, hoje é comum as empresas terem regimes de trabalho híbridos ou totalmente remotos. Esse cenário trouxe implicações na mobilidade urbana.
Sem a necessidade diária de deslocamento, começa a ganhar força a ideia do uso compartilhado de carros. Via cadastro em aplicativo, poderemos utilizar um veículo da empresa fornecedora por um determinado tempo.
“Um carro particular custa caro para manter: seguro, reparos, vagas de garagem. Então, as pessoas começam a colocar na balança”, antecipa a arquiteta e urbanista Melissa Belato Fortes.
Ilustração: um carro para chamar de nosso – Foto: Arte/Fábio Abreu/NDDe fato, quem pesquisa sobre mobilidade urbana já enxerga no horizonte a popularização do carro compartilhado.
“Essa lógica que você adquire o direito de usar veículos disponíveis nas ruas me parece forte. A tendência é que a gente não compre mais veículos, mas sim o direito de usá-los quando necessário”, afirma o coordenador do Observatório de Mobilidade Urbana da UFSC, Bernardo Meyer.
“Para além dos veículos autônomos, a discussão passa muito pela situação que vivenciamos atualmente: atividades remotas. O que é possível desempenhar remotamente terá uma prevalência sobre a necessidade de empreender deslocamentos físicos”, comenta Arnoldo Debatin Neto, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes e Gestão Territorial da UFSC.
Um século atrás, mais ou menos, quando surgiu o automóvel, ninguém imaginava que ele seria tão essencial para a rotina das grandes cidades como se tornou.
Se por um lado as metrópoles estão congestionadas com tantos veículos particulares, por outro é difícil imaginar a vida urbana sem carros. Agora é aguardar o futuro e ver se o transporte sobre rodas vai partir para os ares, como imaginaram “Os Jetsons”.
Pandemia muda mobilidade urbana
Resultados da Pesquisa “Mobility Futures 2021: The Next Normal” com 9,5 mil entrevistados em fevereiro de 2021, comparando períodos entre 2020 e 2019, nas cidades de Berlim, Pequim, Mumbai, Bruxelas, Chicago, Copenhague, Londres, Madri, Milão, Munique, Nova York, Paris e São Paulo.
- -30%: Redução no volume de viagens para estudo, trabalho ou lazer
- -5,6%: Redução no volume de viagens no transporte público, modalidade que mais sofreu impacto
Impacto do trabalho remoto na mobilidade
65%: Trabalham em home office e metade pretende continuar nesta dinâmica, mesmo com a possibilidade de voltar aos escritórios em curto e médio prazos
Cidades com mais profissionais trabalhando de casa
1ª Mumbai, na Índia – 84% trabalha hoje em home office – 57% planeja continuar nesse modo
2ª Nova York, nos EUA – 70% trabalha hoje em home office – 46% planeja continuar nesse modo
3ª São Paulo, no Brasil – 69% trabalha hoje em home office – 52% planeja continuar nesse modo
Crescimento do uso de transportes saudáveis e sustentáveis
Caminhar, andar de bicicleta ou patinete lideram o ranking das modalidades que mais ganharam popularidade com a pandemia
- +3% no Brasil
- +4,8% na Europa
- +0,6 nos EUA
Distâncias curtas usando meios saudáveis
15 minutos: Do raio de suas casas são suficientes para realizar atividades básicas, como compras de mercado, por exemplo
Uso do carro para fazer viagens diárias mais longas
- +3,8%: Aumento no uso do carro particular
- -2,2%: Redução no uso de carro compartilhado
- De 29% para 25%: Intenção de comprar um novo caiu