A jornalista Karla Pereira, 35 anos, está entre os passageiros afetados pela suspensão das operações da Ita Transportes Aéreos, do Grupo Itapemirim, na última sexta (17). Ela desembolsou quase R$ 2 mil para comprar uma nova passagem e poder retornar ao trabalho nesta segunda-feira (20).
Sem funcionários no guichê do Grupo Itapemirim, em Natal, na noite deste sábado (18) – Foto: Karla Pereira/NDTVA repórter, da NDTV de Criciúma, está de férias visitando a família em Natal, no Rio Grande do Norte e tinha viagem marcada de volta a Florianópolis para domingo (19). Até esta manhã, porém, ela não conseguiu contato com a companhia. “Ninguém da Central atende. Fiquei mais de uma hora no telefone, mas ninguém fala comigo.”
Nos guichês da companhia, no aeroporto de Natal, também não havia funcionários na noite deste sábado (18).
A companhia havia deixado uma gravação na qual informava a suspensão “temporária” de todos os voos na sexta-feira (17), mas a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) intimou o grupo a cumprir medidas para prestar assistência aos passageiros.
Posicionamento da companhia
O último comunicado do Grupo Itapemirim foi divulgado na noite deste sábado, no qual diz que intensificou a comunicação com os passageiros impactados pela suspensão das operações da companhia.
A companhia afirma que o serviço de atendimento telefônico pelo número 0800 723 2121 e pelo chat do site foram restabelecidos, com horário de atendimento das 6h às 21h. No entanto, a passageira não conseguiu contato.
Karla soube dos problemas da companhia pelos jornais e foi comunicada do cancelamento do seu voo pela Ita apenas no sábado (18) à noite, por mensagem de texto. “Nossas operações foram temporariamente suspensas. Não compareça ao aeroporto. Solicite o reembolso de sua passagem pelo e-mail falecomita@voeita.com.br”, informava o texto.
A Floripa Airport informou que a Ita realizava apenas uma rota de Florianópolis a Guarulhos, uma vez por dia, de domingo a sexta.
“Conforme orientações da própria ITA, passageiros que têm voos programados para os próximos dias devem entrar em contato com a cia aérea por meio do e-mail falecomaita@voeita.com.br. A concessionária pede que os passageiros não venham ao aeroporto antes de serem orientados pela cia aérea”, diz em nota.
Prejuízos financeiros e profissionais
Logo no início da viagem ela teve um contratempo que acendeu um sinal de alerta. A ida para Natal estava marcada para o dia 8 de dezembro, mas quando chegou em Guarulhos foi informada de que o voo seria apenas no dia seguinte.
Sem reembolso, jornalista arca com prejuízos de mais de R$ 2 mim – Vídeo: Karla Pereira/NDTV
Karla Pereira passava férias em Natal, no Rio Grande do Norte – Vídeo: Karla Pereira/NDTV
“Os funcionários me trataram bem e foram atenciosos”, diz. Apesar do transtorno, conseguiu resolver a questão e embarcar no dia correto.
Em seguida, a funcionária insistiu para que ela verificasse a passagem de volta, para checar se estava tudo certo. “Já suspeitei que teria algum problema nessa história.” O voo, marcado para às 6h de domingo, havia sido cancelado e agendado para segunda, o que gerou angústias nos primeiros dias das férias.
“Primeiro problema profissional. Meu retorno teria que acontecer antes de segunda, porque já teria que trabalhar. Por sorte meus gestores foram bacanas e resolvemos”, explica.
As passagens foram compradas em outubro, diretamente no site da companhia, com tarifas bastante acessíveis, se comparada a outras empresas. O trecho de Florianópolis a Natal ficou por volta de R$ 500, já a volta em torno de R$ 780.
Agora, sem conseguir contato com a Ita, a jornalista precisou arcar com uma nova passagem de R$ 1.700 por outra companhia, além de negociar uma folga no trabalho. O novo voo está previsto para a madrugada desta segunda.
Procon de Florianópolis notifica empresa
Mais de 40 mil consumidores foram afetados pelo cancelamento dos voos sem justificativa e aviso prévio. Em Florianópolis, os clientes prejudicados serão respaldados pelo Procon, que irá notificar a empresa.
O Procon irá solicitar que a empresa apresente justificativa para os cancelamentos e uma explicação do que será feito para ressarcir ou evitar o prejuízo dos clientes que já haviam comprado voos na rota de Florianópolis.
O órgão direciona que os consumidores da Capital que ainda não conseguiram retorno da companhia entrem em contato. Os canais são o email e-diretor.procon@pmf.sc.gov.br e o telefone (48) 3131-5320. Também é possível fazer a reclamação diretamente pelo site do Procon de Florianópolis.