A pequena cidade espanhola que virou o centro dos casamentos gays na Europa e no mundo

Os casamentos gays impulsionaram o turismo rural, favorecendo a abertura de hotéis, restaurantes e espaços para eventos

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Gabrielle Tavares Florianópolis

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Campillo de Ranas Cidade isolada na Espanha atrai turistas do mundo inteiro que desejam oficializar casamentos gays – Foto: Reprodução/ND

Campillo de Ranas, uma pequena cidade na província de Guadalajara, na Espanha, ganhou destaque nos últimos anos como um dos principais destinos para casamentos entre pessoas do mesmo sexo. O fenômeno, que começou em 2005, transformou a economia local e consolidou o município como um símbolo de inclusão e diversidade.

A virada aconteceu quando o então prefeito Francisco Maroto se tornou um defensor ativo da lei do casamento igualitário, aprovada pelo governo de José Luis Rodríguez Zapatero.

Enquanto algumas autoridades se recusavam a oficializar casamentos gays, Maroto abriu as portas da prefeitura, tornando a cidade um ponto de referência para a comunidade LGBTQIAPN+. Desde então, mais de 1.000 casais escolheram Campillo de Ranas para celebrar sua união.

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Casamentos gays impulsionaram economia

O impacto da iniciativa ultrapassou as fronteiras da Espanha. Casais de Japão, Islândia e Estados Unidos também viajaram para a cidade para se casar.

Esse aumento no fluxo de visitantes impulsionou o turismo rural, favorecendo a abertura de hotéis, restaurantes e espaços para eventos. Atualmente, o município mantém um ritmo de mais de 40 casamentos por ano, consolidando-se como um dos principais destinos LGBTQIAPN+ da Espanha.

Além do crescimento econômico, o casamento igualitário trouxe mudanças significativas para a comunidade local. Antes desse movimento, a cidade sofria com o despovoamento, e sua economia era baseada na pecuária e na exploração de madeira.

Casamentos gays transformaram a economia de Campillo de Ranas Casamentos gays transformaram a economia de Campillo de Ranas – Foto: Reprodução/ND

Com a nova atividade, Campillo de Ranas conseguiu estabilizar sua população em cerca de 50 habitantes.

A relação entre a cidade e o casamento LGBTQIAPN+ também tem um aspecto pessoal para Maroto. Em 2007, ele próprio se casou ali com seu companheiro, Quique, que, mesmo após a separação, permaneceu na cidade administrando um dos principais espaços para cerimônias, a Aldea Tejera Negra.

Mais do que um polo de turismo, Campillo de Ranas se tornou um espaço acolhedor para a diversidade. Segundo o jornal The Guardian, visitantes relatam que se sentem à vontade para demonstrar afeto em público, sem medo de preconceito.

Para David García-Alcalá Cuenca, dono do restaurante Los Manzanos e também casado na cidade, o que realmente define Campillo de Ranas não é apenas a orientação sexual de seus moradores e turistas, mas o forte senso de comunidade que se criou ali.

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