A expedição de Raphael Prata tem uma proposta bem ousada: ir de Florianópolis ao estado norte-americano do Alasca em um Fusca 1976, chamado Lya. O trio, que virou duo e agora conta com apenas Raphael, partiu no dia 1º de maio, de 2019. O objetivo era alcançar o destino em um ano.
Tudo conspirava contra os aventureiros. Já de início, a grana era apertada e o veículo produzido há quatro décadas e meia atrás. Entretanto nada impediu Raphael Prata de alcançar os Estados Unidos em fevereiro deste ano.
O que ele nunca imaginou é que uma pandemia o prenderia em Las Vegas, a apenas 6.000 quilômetros do seu destino final. A distância é igual a nada para quem já viajou por 15 países apenas nos últimos 11 meses. Entretanto os novos desafios vem colocando em risco a expedição.
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Raphael com a equipe brasileira de CSGO, em Las Vegas – Foto: Raphael Yuri/Divulgação/NDÚltimas histórias do Aventura de Fusca
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Com voos internacionais cancelados e o preço do dólar alcançando a casa do R$5, Raphael ficou preso na terra do Tio Sam e seus fundos ficaram restritos a US$ 60. Para piorar, o visto de turista o impede de arranjar trabalho nos Estados Unidos.
“A minha projeção era ir do Texas ate o Alasca em um mês e meio. Depois, em 15 dias, voltar para a Califórnia ou Las Vegas. Infelizmente estou em Vegas ainda e todo o orçamento que eu tinha se foi. Ou seja, essa pandemia só não nos atrasou como quebrou a nossa expedição financeiramente” afirma.
Quando chegou em Las Vegas, o coronavírus ainda era um surto restrito à China. “Bastou ter três casos pra começar a sensação de apocalipse. Foi o questão de duas semanas para a cidade ser fechada, os cassinos apagados e aeroporto, onde pousavam aviões cada minuto, receber apenas dez por dia” conta Prata, que é chef de cozinha.
Enfrentando desde o frio da Patagônia até o calor intenso do deserto do Atacama, Prata teve que trocar o dia a dia das estradas pelo cotidiano do isolamento. Os cactos milenares, as praias, os eventos de fuscas foram substituídos pelas dependências das casas de amigos da região.
Jardim do Bellagio, antes da pandemia – Foto: Raphael Yuri/Divulgação/NDSolidariedade
Dois amigos o abrigaram nas primeiras semanas, um em cada semana. Faz parte da política da expedição não passar mais de uma semana na casa de outras pessoas devido aos custos. Após ouvirem a história de Raphel, ele conseguiu um lugar junto ao Team One, time profissional do game de tiro CSGO (Counter-Strike: Global Offensive).
“É uma casa grande, e eu estou dividindo quarto com o couch deles, o Olavo”, conta Prata. As aventuras passaram a ocorrer em ambientes simulados digitalmente. Ao invés das estradas, hostels, acampamentos, o viajante passa os dias jogando CSGO, game que jogava desde os 15 anos.
Ele também cozinha para a equipe, como forma de retribuir o apoio. “Estou aqui vivendo um sonho desde menino e ao mesmo tempo estou em um porto seguro. Eles me receberam como se fosse da família. São atitudes assim que estão permitindo a nossa expedição estar de pé ainda” afirma.
O mais próximo a um confinamento que Raphael enfrentou antes nessa expedição foram os cinco dias presos em um albergue em Bariloche, em julho. Além de bloquear o caminho, a nevasca os deixaram sem energia e água. Era necessário derreter neve para cozinhar e racionar comida.
“Agora quero apenas ver o planeta girando de novo, ver as pessoas podendo sair novamente. A preocupação é que todos estejam conseguindo passar por essa crise em segurança, sem passar fome” conta Prata. Ele segue passando a quarentena com pessoal do Team One.
O nd+ acompanhou a expedição durante toda a viagem pela América. Confira abaixo todas as reportagens. Agora, para se manter no país norte-americano, Prata aceita doações em dinheiro que devem ser transferidas para a seguinte conta:
- Banco do Brasil
- Ag 1453-2
- CC 144223-3
- Raphael Prata
- CPF 021.945.131-16
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