A Ilha de Santa Catarina possui beleza natural e recursos únicos para a cultura náutica. Há dez anos, Walter e Maria Helena Hoeveler decidiram vir a Florianópolis por esta razão – com um detalhe: para morar embarcados em uma lancha.
“Na época, para convencer a minha mulher e os filhos, eu tive que fazer uma planilha provando que morar aqui era mais barato do que morar numa casa”, comenta Walter. Hoje moram ele e ela no Oeste da Ilha.
Até foram a outros lugares, moraram em Paraty, no Rio de Janeiro. Mas foi aqui que permaneceram, dedicando seis anos na Barra da Lagoa e os últimos quatro no Centro.
Depois de se desapegarem da maioria dos pertences, contam que curtem o estilo de vida. “E tem a parceria também, né, sozinho a gente não faz”, diz Maria Helena, compartilhando com o marido, que é o capitão, as normas para navegar.
Walter e Maria Helena vivem embarcados em Florianópolis desde 2012 – Foto: Carolina Monteiro/NDA razão afetiva da escolha por Florianópolis é com relação à família, já que ficam próximos ao Rio Grande do Sul. Mas também porque ela oferece acesso fácil a recursos de saúde, atividades, serviços e lazer.
Outro motivo é a segurança da cidade, pois se sentem bem. Aqui também desfrutam da estrutura necessária até para trabalhar.
Segundo eles, a grande vantagem de estar embarcado é poder mudar a casa de lugar: “dá para trocar o pátio, como se diz”, ri Maria Helena.
Antes, quando a onda batia no barco, ela não sabia como agir diante das situações como, por exemplo, objetos caindo dos armários.
Agora, está confiante com a experiência e porque o local de ancoragem permite a segurança do barco com relação aos ventos.
O capitão comenta que o Norte da Ilha possui muito recurso para navegação, favorecendo a estadia, mas o Sul ainda precisa de atenção.
“O Sul da Ilha também é maravilhoso, mas não é um lugar seguro para pernoitar, sem tantas proteções”, diz.
Hoje, eles concluem que a proteção do barco com relação aos eventos da natureza é uma característica peculiar da Ilha. Florianópolis tem diferentes áreas para se abrigar do mau tempo, dependendo de cada situação meteorológica e direção dos ventos.
“O que coordena a navegação é a proteção”, comenta Maria Helena, e Walter completa: “hoje a gente tem informação meteorológica precisa, então vai para um lugar protegido.”
A diversidade geográfica da Ilha oferece opções para todos
Assim como o casal Hoeveler, o velejador Dani Decaro tem amor pela Ilha, mas pelo motivo oposto: desfruta dos fortes ventos.
Para algumas atividades náuticas, o porto seguro é fundamental e, para outras, quanto mais vento melhor – e a Ilha nos dá as duas opções.
Independente da direção do vento, Florianópolis abriga ou expõe os seus lados e baías.
Decaro é um velejador experiente na técnica de kitesurf, ou surf com pipa. Italiano de Roma, decidiu viver em Florianópolis. Quando perguntado sobre o que o trouxe para a cidade, a resposta é certeira: “foi o esporte!”
Decaro pratica há mais de 20 anos. Navegava na praia de Lido di Ostia, na foz do rio Tibre. Aqui, encontrou bons ventos e também destaca a segurança receptiva da cidade.
“O meu amigo contou que aqui tinha ventos bons para o nosso esporte e que a cidade era boa, não tinha violência. No Brasil, ele achava que era o melhor lugar, então eu vim para cá.”
“A nossa prática é muito ligada à presença do vento”, explica. “Onde tem mais vento tem mais procura por esse esporte.”
Florianópolis dá aos esportistas várias opções, e o velejador conta que a Ilha tem vários “spots” para principiantes e avançados no esporte. “Aqui tem o mar com ondas grandes e a lagoa que é mais sossegada. Tem vários ‘spots’, o lugar onde a gente vai velejar.”
Atualmente, a escolha dele pela Lagoa da Conceição é em razão da estrutura que ela oferece. Ali mesmo ele tem uma estação onde pode guardar a prancha e pipa, tomar banho e ficar pronto para o trabalho.
Beleza, condições propícias, segurança… mas falta estrutura
A beleza natural, condições marítimas e segurança da cidade são alguns dos motivos para a escolha da Ilha, mencionados tanto por quem procura tranquilidade quanto por quem pratica esportes de impacto. Mas a estrutura em estações, marinas e abastecimento é fundamental para dar suporte à atividade.
Para o transporte e locomoção recreativa, Florianópolis ainda tem uma estrutura enxuta, segundo Walter Hoeveler.
Ele conta que embarcações médias e grandes não têm opções para abastecimento, e poucas marinas da cidade oferecem recursos, até mesmo para as embarcações menores.
Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Esportes, “o turismo náutico é histórico em Florianópolis. Por sermos uma ilha, é natural esta forma de locomoção e procura por parte dos turistas.”
Atualmente, são lançados editais para embarcações de passeio e transporte, incentivados pelo município.
“Esportes marítimos, como o remo, também estão na lista dos apoiados pela prefeitura e Fundação Municipal de Esportes”, segundo a secretaria.
Esta é uma queixa que será em breve afastada, com a construção do Parque Público e Marina Beira-mar, segundo a prefeitura.
O projeto está em fase de licenciamento e a previsão é que se conclua a obra em 2025. Segundo a secretaria, a marina parque irá movimentar a economia, fortalecer o nicho náutico e gerar empregos.