Quadras poliesportivas, pistas de skate no padrão olímpico, raias para competição de remo, estrutura para pescadores, espaço para contemplação do pôr do sol, espaço pet, playground, balanço gigante, restaurantes, quiosques e até beach clubes. Esses são alguns atrativos que constam no projeto do Parque Urbano Marina da Beira-Mar, que comportará 500 embarcações, e foi apresentado na manhã desta sexta-feira (22) pela Prefeitura de Florianópolis.
Marina na Beira-Mar deve sair do papel entre 2022 e 2023 – Foto: Reprodução/ND“Não tenho dúvidas que as 2.100 famílias que estarão empregadas aqui lembrarão que um exército de pessoas se dedicou para transformar isso em realidade”, disse o prefeito Gean Loureiro (Dem). Foi ele quem apresentou à imprensa e a representantes da sociedade civil organizada da Capital o projeto da futura marina na Capital.
A proposta da construção de uma marina na Beira-Mar Norte surgiu em 2013, quando um projeto contratado pelo Grupo RIC previa outras melhorias para a cidade e foi apresentado ao então prefeito Cesar Souza Júnior e ao então governador Raimundo Colombo.
SeguirO Grupo RIC chegou a contratar um escritório de engenharia e urbanismo para elaborar o estudo de uma marina na cidade e o apresentou a Cesar Souza Júnior, que fez os encaminhamentos necessários. O projeto avançou, mas não se tornou realidade na época. E agora, a tendência é que o projeto saia do papel com Gean fora da prefeitura. Mas, segundo o secretário municipal de Turismo, Juliano Pires, isso não é um problema.
O prefeito Gean disse que a marina da Beira-Mar é um dos mais importantes projetos da sua gestão – Foto: Cristiano Andujar/PMF/ND“Nossa preocupação é criar novos ambientes e equipamentos para que os nossos cidadãos possam ter opções de lazer, gastronomia e serviços adequados. Quando a cidade é boa para o cidadão, naturalmente, será boa para o turismo”, disse Pires. A expectativa da prefeitura em relação ao empreendimento é enorme. Gean disse que se trata de um dos principais feitos da sua gestão.
Visitando empreendimentos semelhantes pelo mundo, o prefeito conheceu a marina de Auckland, na Nova Zelândia. “Eles falavam que o impulsionamento econômico se dirigia a um raio de 45 km. Influenciava tudo no entorno. É imaginar que teremos um impulsionamento para toda cidade”, destacou Gean.
Na visão do secretário de Turismo, o empreendimento vai trazer uma nova cara para a cidade, além de empregos e impostos. Sobre a exploração comercial, destacou que é uma obra 100% privada, sem dinheiro público envolvido na construção e na gestão.
“Com todos os serviços ali implantados, naturalmente, os impostos vão para a prefeitura. Além de não investirmos nada, estamos ganhando um equipamento de qualidade, aumentando a área pública para o nosso cidadão, gerando empregos e aumentando a arrecadação. É uma matemática extremamente positiva para a cidade”, ressaltou Pires.
As arenas esportivas serão uma das frentes principais do parque urbano – Foto: Cristiano Andujar/PMF/NDA segurança, outra preocupação, também será uma incumbência da empresa vencedora da concessão, a JL Construções Civis. “Você imagina que proprietários de embarcações de até 150 pés virão a Florianópolis e, naturalmente, precisam de um lugar seguro. Florianópolis oferece uma experiência muito segura para o Brasil, mas vai se intensificar bastante essa questão da segurança”, ressaltou o secretário.
“Uma das melhores marinas do mundo”
O diretor da JL Construções, João Luiz Felix, também estava no evento. Segundo ele, a empresa encomendou diversos estudos técnicos a fim de evitar surpresas na obra.
“Muitas pessoas pensam que marina polui, pelo contrário. Tenho três marinas e a de Angra, por exemplo, é um verdadeiro berçário. Temos até tartarugas nadando em volta das embarcações. É uma prioridade cuidar da qualidade da água nas marinas”, enfatizou.
Quando ganhou a concessão, o empresário disse que se envolveu de corpo e alma. João contou que, normalmente, cuida das obras do norte e seu filho das obras do sul. Dessa vez, será diferente: “quando ganhamos a concorrência, o meu filho disse ‘pai, parabéns, mas Florianópolis fica no sul’. Eu falei: ‘essa não! Essa o teu pai vai para lá’ [Florianópolis] e, quem sabe, venho até a morar aqui no futuro”, lembrou João.
Área para pescadores no entorno da marina é um dos destaques do projeto – Foto: Reprodução/ND“Essa marina de Florianópolis vai ser a mais bonita não só do Brasil, mas do mundo inteiro, porque contempla a questão dos parques”, explicou João. Sobre a obra, ele disse que a empresa está bastante afinada.
“A parte de projetos de infraestrutura vem sendo desenvolvida e quando tivermos a licença, estaremos imediatamente começando a obra, para que tenhamos a marina no prazo e fazendo um show para comemorar”, afirmou o empresário.
Outra prioridade da JL na elaboração do projeto foi a escolha de arquitetos que vivem ou conhecem em Florianópolis, uma sugestão da primeira-dama da cidade, Cintia Loureiro.
Duas empresas trabalharam no projeto arquitetônico: a JA8 e a Ark7, com cinco arquitetos trabalhando full time. A uruguaia Silvana Carlevaro, que vive há 35 anos na Ilha, foi uma das profissionais.
“É um orgulho fazer esse projeto, porque é um marco na cidade”, disse. Ela explicou, ainda, que o projeto buscou valorizar o ser humano através do lazer, do bem-estar e da relação com a cidade.
O trabalho dos arquitetos começou no início do ano e, depois do projeto preliminar, eles seguem trabalhando: “Ainda tem muita coisa pela frente, principalmente a parte de arquitetura das edificações. Agora vem o projeto executivo, que envolve engenharias, detalhamentos das edificações, isso ainda vai levar mais um tempo”, explicou.
Mais detalhes do projeto da marina na Beira-Mar
O projeto arquitetônico do Parque Urbano e Marina da Beira-Mar tornou-se público nos moldes das recentes apresentações da prefeitura: o prefeito Gean e seus slides. E, segundo ele, a marina merecia uma tela que só os cinemas têm. O evento contou com diversas autoridades, entre as quais os vice-prefeito, Topazio Neto, secretários municipais, vereadores e membros de entidades representativas.
A futura marina será próxima ao trapiche da Beira-Mar Norte até a extensão das atuais quadras de beach tennis da Beira-mar. A JL Construções, empresa que executará a obra, é uma das dez maiores do Brasil no setor de empreendimentos e venceu o processo licitatório para a construção do parque.
Pista de skate no padrão olímpico está no projeto do Parque Urbano e Marina Beira-Mar – Foto: Reprodução/NDA área total da concessão é de 440 mil m². A área de aterro terá cerca de 140 mil m² de aterro. O espelho d’água terá aproximadamente 190 mil m². A área de marina, por sua vez, será de 157 mil m². A área de circulação e convívio terá 100 mil m². A área de livre circulação terá 20 mil m², a de lazer 25 mil m², as áreas verdes 48 mil m² e as áreas edificadas de 14 mil m².
“A intenção dos arquitetos e todos que elaboraram é as pessoas sempre se sentirem ao ar livre, mesmo de dentro de uma estrutura, é possível observar o sol, o movimento, o mar”, explicou Gean. Ao todo, o parque urbano terá 88 espaços de uso misto, entre os quais, 10 restaurantes, dois beach clubs, 22 fast-foods, 15 quiosques, um mercado gourmet e cinco espaços de bem-estar, como spa e clínicas.
Haverá ao menos cinco vias de entrada para pedestres e três eixos cicloviários. O local também terá pontos de ônibus e estacionamento para ônibus de turismo (4), automóveis (400 vagas) e motocicletas (100).
Fase de licenciamento
Mas, para tirar a marina do papel, é preciso vencer a etapa de licenciamentos. Segundo o presidente do IMA-SC (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), Daniel Vinícius Netto, o órgão enxerga o projeto como respeitável e algo que valoriza a vocação da cidade. “Há alguns anos se vem trabalhando em cima dessa concessão e de toda a concepção do empreendimento. Para nós, do órgão ambiental, enquanto o processo não está formalizado, não há juízo de valor, nem antecipação da análise técnica”, disse Netto.
IMA-SC ainda precisa receber o projeto, analisar e conceder ou não os licenciamentos – Foto: Facebook/Reprodução/NDEle afirmou que existe um apoio institucional para esse tipo de empreendimento e questionado sobre quanto tempo deve demorar o licenciamento, respondeu que, em função do interesse público e social, tende a ser rápido. “Não temos como dizer quanto tempo, mas faremos com toda celeridade e transparência”, completou.
O prefeito Gean destacou que, se tudo transcorrer como o imaginado, a emissão do LAP (Licenciamento Ambiental Prévio) ocorre em agosto de 2022. A estimativa, no projeto, é que a assinatura do termo de início das obras ocorra em janeiro de 2023, mas o prefeito tem uma meta: iniciar as obras ainda no segundo semestre de 2022. A previsão de conclusão da obra é no ano de 2025.