Parque das Nascentes é opção de roteiro ecológico pela região de Blumenau

Área de cinco hectares e meio de extensão tem 44 km de trilhas em meio a natureza

Da Redação/ND Florianópolis

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No Parque das Nascentes há 240 espécies de aves e uma floresta com 360 espécies de árvores e arbustos - Divulgação/ND
No Parque das Nascentes há 240 espécies de aves e uma floresta com 360 espécies de árvores e arbustos – Divulgação/ND

Neste sábado, 2 de setembro, Blumenau comemora 167 anos. Para celebrar a data de uma maneira diferente, a equipe do Destino SC percorreu o Parque Natural Municipal Nascentes do Garcia, conhecido como Parque das Nascentes, localizado a 25 km do centro de Blumenau, na zona rural da cidade. Criado em 5 de junho de 1998, o local conta com uma área de cinco hectares e meio de extensão e é considerado o maior parque municipal do Brasil.
O repórter Romulo Balbinotti junto ao cinegrafista Alexandre de Oliveira resolveram encarar uma trilha de quatro quilômetros em mata fechada até o mirante do parque, a 750 metros de altura e descobrir mais sobre o local.

Jonata Giovanela é o gestor do parque e tesoureiro do IPAN (Instituto Parque das Nascentes), uma ONG criada para administrar o local. Ele conta que o parque é considerado com a maior biodiversidade do Estado, com cerca de 240 espécies de aves, 65 de mamíferos, 39 de anfíbios, 10 de répteis e uma floresta com aproximadamente 360 espécies de árvores e arbustos. O visitante pode se deparar com tatus, cachorros do mato, veados e até pumas e apreciar a beleza de bromélias, orquídeas e árvores, como uma figueira com cerca de 200 anos. “Como temos animais e plantas no local que estão em risco de extinção, como o palmito juçara, xaxins e animais como a paca, preservamos ao máximo o local onde eles estão. O parque acaba funcionando como uma reserva natural para essas espécies, já que a caça e o roubo do palmito são intensos na região. Onde há visitação, caçadores e palmiteiros não circulam”.

Com aproximadamente 44 km de trilhas, há percursos curtos, médios e longos, com diversos graus de dificuldade. Durante o passeio, os visitantes passam por mirantes, cachoeiras, lagoas e centenas de nascentes como as dos rios Garcia, Garrafa (Blumenau) e Espingarda (Indaial) e tantos outras, fato que acabou dando o nome ao local.

Há trilhas com diversos níveis de dificuldade, que passam por cachoeiras e mirantes - Alexandre de Oliveira/RIC/ND
Há trilhas com diversos níveis de dificuldade, que passam por cachoeiras e mirantes – Alexandre de Oliveira/RIC/ND

A professora Fabiana Martins aproveitou o domingo para fazer a trilha e se encantou com a diversidade. “É maravilhoso ver como essa natureza nos passa uma boa energia. Ter uma cachoeira no meio do caminho é muito bom”, diz. O personal trainer Tiago Bertoldi deu dicas a quem não conseguia acompanhar o grupo, por causa do cansaço. “Quem não tem o costume de caminhar pode ter dificuldades para respirar ou até mesmo continuar a subida. Manter o tronco inclinado para a frente e prestar atenção na respiração é essencial, assim como uma garrafa com água para se hidratar e um alimento leve para repor as energias”, aconselha.

ONG e trabalho voluntário 

A história do parque começa em meados dos anos 1980, quando a área era utilizada para a extração de madeiras. Logo depois, foi comprada por uma empresa de produtos de cama, mesa e banho da região com o intuito de plantar eucaliptos para utilizar em suas caldeiras. Um professor de ecologia da FURB, a universidade municipal de Blumenau, que trabalhava na companhia convenceu a diretoria a transformar o local numa RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) e durante dois anos a empresa teve o seu próprio parque, doando logo depois as terras para a Faema (Fundação de Meio Ambiente de Blumenau) e à universidade. Por questões administrativas, as duas entidades cuidaram do local até meados de 2000 e, para dar continuidade ao trabalho, foi criado o Instituto Parque das Nascentes.

Todo o trabalho feito ali é voluntário. Com a gestão compartilhada com a FURB, quatro estagiários estão à disposição na parte operacional e administrativa, como na limpeza das trilhas, fiscalização e apoio à educação ambiental. Ao todo, 30 voluntários revezam-se durante a semana para receberem os visitantes, além de escolas e pesquisadores.