Após a repercussão do caso envolvendo um suposto golpe aplicado por uma agência de viagens de Santa Catarina, o homem responsável pela empresa Excursões do Mano falou à reportagem do Grupo ND nesta terça-feira (9). O suposto agente Wilsimar Rocha concedeu uma entrevista à NDTV Record e ao Portal ND Mais e apresentou sua versão a respeito das denúncias apresentadas pelos clientes.
Wilsimar Rocha concedeu entrevista ao Grupo ND nesta terça-feira – Foto: Marcelo Thomazelli/NDTVDe acordo com Wilsimar Rocha, conhecido como Mano, as dívidas acumuladas pela empresa chegam a quase R$ 200 mil. “Nós vamos pagar a partir das pessoas que eu devo menos até as pessoas que eu devo mais”, explica Wilsimar.
As pessoas às quais o suposto agente se refere são 197 clientes que acabaram prejudicados pelos cancelamentos das viagens e excursões ou por outros problemas relacionados aos serviços prestados pela empresa.
SeguirPara conseguir quitar as dívidas, o empresário pretende fechar parcerias com outras agências de viagens, angariando clientes e recebendo uma bonificação pelo serviço. De acordo com Wilsimar, ele não fará mais a organização das viagens.
“Vou juntar todo esse dinheiro para pagar, mas eu, ‘Mano’, não vou mais organizar as viagens. Vai ser tudo viagens de amigos meus”, afirma Wilsimar Rocha.
‘Mano’ culpa pandemia e suposta crise no setor de viagens
Segundo Wilsimar, a pandemia da Covid-19 e uma suposta crise no setor de viagens e de turismo nos anos pós-pandemia teriam causado problemas financeiros à empresa, o que prejudicou o cumprimento dos compromissos assumidos com os clientes.
“Tudo isso foi desencadeando um processo onde a coisa foi se complicando, e eu tentei reverter a situação”, argumenta Rocha. Embora o setor de turismo tenha, sim, sido prejudicado pela pandemia, já no ano de 2022 houve um crescimento de 34,5% no agregado de atividades turísticas no Brasil, com relação ao ano anterior, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Já em 2023, o setor cresceu R$ 12 bilhões entre os meses de janeiro e agosto, segundo divulgado pelo Ministério do Turismo, com base em pesquisa realizada pela Fecomercio/SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo).
Ainda segundo Wilsimar Rocha, a empresa enfrentou problemas com excursões realizadas para partidas de futebol em São Paulo e no Rio de Janeiro. Numa das ocasiões, de acordo com o empresário, 52 ingressos falsos foram vendidos a ele e os clientes não puderam assistir à partida entre Fluminense e Boca Juniors na final da Libertadores no Maracanã.
O suposto agente de viagens afirma que errou ao não informar aos clientes com antecedência a respeito dos cancelamentos das viagens. “Quero admitir, mais uma vez, que eu errei neste ponto. Eu deveria ter informado, porque eu também me coloco no lugar das pessoas”, diz Wilsimar.
As 197 pessoas que esperam pela devolução dos valores pagos à empresa de Wilsimar agora têm um prazo para que o problema seja resolvido, segundo o empresário: até o dia 20 de dezembro, Mano pretende quitar todas as dívidas.
Saiba os direitos de quem tem viagens canceladas
De acordo com o vice-presidente da Comissão de Direito do Consumidor da OAB de Joinville, Joubert Xavier, os cuidados devem começar já no momento da aquisição dos pacotes de viagens. Segundo o advogado, os valores muito baixos e ofertas vantajosas devem ter a atenção dos consumidores.
“Deve-se ter muita atenção na disponibilidade de data, pois toda viagem tem altas e baixas temporadas, cujos valores são diferentes”, explica o especialista.
Conforme o advogado, é importante conferir as informações do estabelecimento que oferece as viagens, para garantir a veracidade do produto vendido, além de dados sobre valores, horários e disponibilidades.
“É importante que o consumidor analise também, detalhadamente, a oferta do pacote e todos os serviços e produtos inclusos”. A orientação é que esta negociação seja feita via WhatsApp ou e-mail, para comprovar o que foi tratado entre o consumidor e a empresa.
Segundo Joubert Xavier, caso haja cancelamento, o consumidor tem o direito de solicitar a restituição de todo o valor investido para a viagem, além de eventuais outros danos causados.
“Não havendo o pagamento destes valores, o consumidor deve procurar um advogado da sua confiança para auxiliar no ressarcimento dos prejuízos”. Estas solicitações podem ser feitas por meio do Procon ou do próprio Poder Judiciário, de acordo com o especialista.
Quando é o caso de adiamento ou adiantamento das datas das viagens, o consumidor também tem direito ao reembolso, ou pode negociar o melhor momento para realização do passeio, caso prefira.
“Mas é sempre bom ficar atento e buscar empresas sólidas, para não ter uma dor de cabeça justamente no período de descanso”, finaliza do advogado.