Logo na chegada de um dos acessos à Fortaleza de São José da Ponta Grossa, entre as praias do Forte e Jurerê, em Florianópolis, faixas indicam preocupação. Moradores do entorno reclamam das obras e do fechamento do forte, que está sendo revitalizado desde 2020, sem receber visitações.
Reabertura da Fortaleza de São José da Ponta Grossa em Florianópolis deve acontecer em março – Foto: Flávio Tin/APF/NDO autônomo Márcio Osvaldo Batista, que é morador da região, disse que no “forte, anualmente, passa uma média de 70 a 80 mil pessoas. Só em 2021, já deixaram de visitar mais de 20 mil turistas”.
A ideia inicial era que, durante a obra, algumas áreas fossem mantidas abertas para o público. Mas por conta da pandemia, todo o terreno foi fechado. Isso sem contar os desacordos com relação à desapropriação dos moradores para ampliação da área, situação que contribuiu para a preocupação de quem vive ou tem comércio por ali.
Segundo o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a obra é regular, projetada e liberada pelos órgãos competentes. Além disso, o instituto defende que a revitalização é necessária e está no prazo previsto.
“A gente tinha aqui na fortaleza muitos pontos de fragilidade, revisão de telhado, que é sempre importante ser feito com intervalos regulares. Então, a gente tinha algumas missões nesse sentido da recuperação, da conservação dos prédios e das moradas”, explicou a superintendente do Iphan-SC, Regina Helena Meirelles Santiago.
O objetivo da obra é remodelar a estrutura sem perder suas características originais. Desde que a reforma começou, em março de 2020, a fortaleza vem recebendo melhorias na rede elétrica e hidráulica, a inclusão de novos banheiros, uma revisão no paisagismo e, claro, a adequação de toda a estrutura para a acessibilidade da população.
De acordo com Regina, “o projeto prevê justamente estacionamento com característica para pessoas com deficiência e também acesso rampeado, com elevador, ao maior percentual possível de áreas da fortaleza”.
Fortaleza de São José da Ponta Grossa, próxima a praia do Forte, conta parte da história de Florianópolis – Foto: Cyro Corrêa Lyra/DivulgaçãoNos paredões de pedra, um procedimento chamado “pietra rasa” tem sido usado para manter as características da edificação, conservando a sua segurança. Todas as pedras são limpas, e onde se faz necessário, é passado um rejunte para mantê-las no lugar. Já no chão, o piso vai ser conservado, mas um assoalho de vidro será colocado por cima para nivelar a altura, e manter a visão original.
“A gente já tá com a parte de restauração avançada em 90%, 95%. Agora, fazendo essa parte mais externa dos acessos, da acessibilidade devidamente adequada para utilizar menos área do entorno, mas ainda assim fazer um acesso melhorado para a fortaleza, que é um dos grandes objetivos dessa obra”, afirmou a superintendente do Iphan-SC.
A fortaleza também vai ganhar espaço para exposições e terá suas áreas verdes renovadas.
A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) é responsável pela manutenção do local e dá apoio na revitalização. Inclusive, divulgou recentemente uma nota que prevê para dia 21 de março a reabertura das visitações à fortaleza, mas tudo depende da situação da pandemia.
Já a previsão de entrega completa das obras pelo Iphan é final de junho deste ano.
“A fortaleza é, em primeiro lugar, uma grande referência. Para a comunidade mais próxima, a gente sabe que é uma referência de carinho, de identidade. Todo mundo fala com muita propriedade, até se sentindo um pouco dono da fortaleza e a gente acha isso super importante, algo para ser valorizado. A gente sabe que as rendeiras que trabalham aqui na fortaleza tão com muita saudade de voltar a fazer sua renda aqui na fortaleza e o espaço delas tá lá previsto, vai tá valorizado. E pros visitantes também. Conhecer um pouco da história, poder ver a vista que a gente tem e construir memórias, construir laços ao visitar a cidade de Florianópolis”, contou Regina.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis!