Recantos da Ilha no verão: a Floripa que a gente trilha

21/12/2020 às 13h01

O verão chegou, mas nem só de badalação vive Florianópolis. A capital também conta com ótimos redutos de paz e tranquilidade, porém, com difícil acesso...

Foto de Lucas Inácio

Lucas Inácio Florianópolis

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São justamente as trilhas mais remotas e escondidas da ilha que nos mostram algumas das mais belas e preservadas praias da região. Por se tratar de trilhas em praias com pouca ou nenhuma infraestrutura de serviços, como restaurantes ou hotéis, o conselho é ir prevenido:

prepare seu tênis, vista roupas adequadas, leve mochila com água e comida, retoque seu protetor sola, fique sempre atento ao mar e aproveite. Porque, apesar de todo o aparato, a chegada ao local desejado recompensa.

Naufragados

No extremo sul da ilha de Santa Catarina está a Praia de Naufragados, um ponto histórico que tem seu nome a partir de um naufrágio de duas embarcações. Eram 250 pessoas em meados do século 18, das quais menos de 80 sobreviveram. Apesar dessa versão não ser oficial, história tem com o Farol dos Naufragados e os canhões que eram utilizados para proteger o acesso à região.

Praia de Naufragados – Foto: Eduardo Valente/Arquivo NDPraia de Naufragados – Foto: Eduardo Valente/Arquivo ND

Atualmente a proteção é dos órgão ambientais, justamente por se tratar do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, mas o acesso é tranquilo. Para chegar lá existem duas opções por trilha ou de barco com o transporte dos pescadores, ambos saindo do ponto final da Caieira da Barra do Sul.

A trilha possui 2,3 quilômetros de extensão e é de intensidade leve, podendo ser de 45 minutos a uma hora entre trechos de mata redra e aberta. A vista de Naufragados é para a Praia do Sonho e a Ponta do Papagaio, em Palhoça.

Lagoinha do Leste

Ainda na região Sul de Florianópolis, uma trilha que preserva a Mata Atlântica em sua essência e conta com belos cenários no seu percurso: a Lagoinha do Leste conta com uma praia de mar aberto localizada entre dois costões que dificultam seu acesso, mas mantêm a natureza quase intacta, além de contar com a lagoa que dá nome ao local.

Trilha da Lagoinha, escadas rústicas com degraus de eucalipto facilitam a caminhada – Foto: Flávio Tin/NDTrilha da Lagoinha, escadas rústicas com degraus de eucalipto facilitam a caminhada – Foto: Flávio Tin/ND

Para chegar lá são três opções: barco com pescadores locais e as trilhas do Pântano Sul e do Matadeiro. A primeira tem acesso pelo bairro de mesmo nome e uma extensão de 2,3 quilômetros com uma subida íngreme, mas escadas rústicas e pedras de apoio que facilitam o trecho que pode ser feito em uma hora.

Já a Trilha do Matadeiro parte do bairro da Armação, tem extensão de quatro quilômetros e estimativa de 2 a 3 horas de duração, dependendo do seu pique, mas certamente com as melhores vistas do percurso.

Moçambique

Caminho para a Praia de Moçambique – Foto: Rosane/Arquivo NDCaminho para a Praia de Moçambique – Foto: Rosane/Arquivo ND

As Praias do Moçambique e do Santinho podem ser acessadas de carro, sendo a primeira pelo Parque do Rio Vermelho e a segunda pelo Norte da Ilha. Porém, há dois caminhos que ligam as praias e que as mantém com um belo cenário, principalmente na Praia do Moçambique, a mais extensa de Florianópolis, com 8,5 quilômetros e preservadas pelos órgãos responsáveis. Além, é claro, das famosas inscrições rupestres do Costão do Santinho.

Praia do Santinho – Foto: Marcos CamposPraia do Santinho – Foto: Marcos Campos

Ambas as trilhas que ligam Santinho e Moçambique possuem cerca de 2,8 quilômetros com características diferentes, mas que tem ser feitas no mesmo dia. Por trás do Morro das Aranhas, o caminho é de mata fechada com bastante sombra e de intensidade leve, podendo ser feita com a família e com duração de uma hora. Já que a parte que contorna o Costão não tem sombra, o terreno possui muitas pedras e algumas subidas, portanto, tem um nível a mais de dificuldade, mas também tem o visual da praia.

Além disso, é por esse caminho que há o acesso ao topo do Morro das Aranhas, uma trilha difícil, mas que guarda a visão de boa parte da região Norte da Ilha, uma atração a mais para quem gosta de belos cenários.

Costa da Lagoa

Uma das mais tradicionais comunidades da Ilha, a Costa da Lagoa fica às margens da Lagoa da Conceição. O acesso ao local é feito apenas por trilhas e barcos, não sendo possível chegar com veículos. Os principais atrativos são a gastronomia e a paisagem de mata preservada. A caminhada pela trilha rende como recompensa a visita a uma cachoeira e a passagem por um engenho de farinha. Uma vez por ano, no mês de setembro, ele é ativado para celebrar uma festa na comunidade.Uma das mais tradicionais comunidades da Ilha, a Costa da Lagoa fica às margens da Lagoa da Conceição. O acesso ao local é feito apenas por trilhas e barcos, não sendo possível chegar com veículos. Os principais atrativos são a gastronomia e a paisagem de mata preservada. A caminhada pela trilha rende como recompensa a visita a uma cachoeira e a passagem por um engenho de farinha. Uma vez por ano, no mês de setembro, ele é ativado para celebrar uma festa na comunidade.

Com mais infraestrutura que as localidades anteriores, a Costa da Lagoa é um local aconchegante que possui várias opções de restaurantes, locais para passeio e hospedagem à disposição. Como o próprio nome diz, não é uma praia, mas conta com uma trilha e um belo cenário, portanto, tem os pré-requisitos para entrar na nossa lista.

Costa da Lagoa foi tema de filmes e outras publicações – Foto: Daniel Queiroz/NDCosta da Lagoa foi tema de filmes e outras publicações – Foto: Daniel Queiroz/ND

O acesso pode ser feito por barcos – que partem de hora em hora da Lagoa da Conceição – ou por uma trilha longa e leve de 6,5 quilômetros, podendo  durar entre 1h30 e 2h. O caminho começa pelo Canto dos Araçás e o trajeto parece longo, mas conta com moradores no caminho, além de lugares históricos, como um engenho de farinha, ativado uma vez ao ano para uma festa local, e construções do século 18. Já a volta pode ser feita de barco, aproveitando para conhecer cada uma das 23 paradas que o transporte realiza no caminho.

Gastronomia ilhéu é carro-chefe do turismo na Costa da Lagoa – Foto: Daniel QueirozGastronomia ilhéu é carro-chefe do turismo na Costa da Lagoa – Foto: Daniel Queiroz

Como chegar: Barcos em direção a Costa da Lagoa saem da Lagoa da Conceição e do Rio Vermelho. Para fazer a trilha é preciso pegar o ônibus 362 (Cantos dos Araçás) e desembarcar no último ponto ou o 363 (Joaquina) com saída do Tilag e descer na Rua Henrique Vera do Nascimento.

O quê fazer: a trilha que sai do Canto dos Araçás até a Costa da Lagoa e aproveitar a natureza do caminho; é possível ver um engenho de farinha, um relíquia histórica tombada; apreciar a gastronomia manezinha