Tempo chuvoso, risco gravíssimo e movimento intenso na praia dos Ingleses

Condições de chuva e situação alarmante da Covid-19 em Santa Catarina não impediram que catarinenses e turistas fossem à praia

Foto de Paulo Rolemberg

Paulo Rolemberg Florianópolis

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Nem o tempo chuvoso e Florianópolis em risco gravíssimo para o novo coronavírus afetaram o movimento na praia dos Ingleses, no Norte da Ilha. A circulação de pessoas e veículos no balneário mostra que o local ainda é um dos principais atrativos da capital catarinense durante o verão.

Nos Ingleses, Norte da Ilha, circulação de pessoas foi intensa na tarde desta segunda-feira (28) – Foto: Anderson Coelho/NDNos Ingleses, Norte da Ilha, circulação de pessoas foi intensa na tarde desta segunda-feira (28) – Foto: Anderson Coelho/ND

A praia dos Ingleses atraiu um grupo de amigos da cidade de Maringá, no Norte do Paraná, que viajaram 756 km para passar o réveillon em Florianópolis. A turma formada por oito pessoas dividirá um apartamento durante sete dias que permanecerão na cidade.

“Uns amigos lá da minha cidade tinham passado um réveillon, tem uns dois anos, aqui e tinha vontade de vim. Nos juntamos e decidimos vim este ano”, comentou Patrick Mattos, 24 anos, que é empresário no interior paranaense.

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Amigo de Patrick, Lucas Cabral, de 22 anos, disse que escolheu Florianópolis, em especial, a praia dos Ingleses, por indicação e a fama que o balneário tem no interior do Paraná.

“Quando se fala em Florianópolis já dizem logo a praia dos Ingleses”, destacou ele, que estima desembolsar um total de R$ 2,5 mil para passar esses dias na capital catarinense.

Questionados se não tinham uma preocupação extra em passarem a virada do ano em Florianópolis – com risco gravíssimo de contágio – e se aglomeraram em um apartamento com mais seis pessoas, os amigos responderam que estão tomando todas as precauções quanto ao contágio da doença, mas no momento da abordagem da reportagem usavam as máscaras cobrindo apenas os queixos.

Na areia da praia, por determinação do Governo do Estado, o uso de máscara é obrigatório, exceto quando as pessoas estiverem na água, mas o que se viu era total descumprimento da regra. Isso tudo sob os olhares de policiais militares que circulavam pela praia em quadrículos.

Um fato constatado também pela reportagem era o descumprimento de alguns estabelecimentos quanto a desinfecção das mesas, cadeiras, guarda-sóis e outros objetos para aluguel. “A gente passa um álcool na mesa e nas cadeiras e pronto”, disse um garçom, que pediu para não ser identificado.

Redução na movimentação do comércio

Apesar do movimento intenso de veículos e pessoas no local, para quem depende do turismo na praia dos Ingleses, o fluxo de turistas este ano reduziu em cerca de 50%.

Segunda-feira foi de movimento intenso de veículos no Norte da Ilha – Foto: Anderson Coelho/NDSegunda-feira foi de movimento intenso de veículos no Norte da Ilha – Foto: Anderson Coelho/ND

Para Rafael Furtado, que garante uma renda extra alugando imóveis na região, a ausência dos argentinos, a pandemia da Covid-19 e as intensas chuvas que caíram na cidade nos últimos dias teriam afetado o movimento para o período do Réveillon.

“Está devagar. Uma foi a Covid-19, a outra foi a notícia do alagamento. Tinha um cliente ontem (27) que falou pra mim que viu que estava tudo alagado e desistiria de vim, mas foi convencido pelos filhos que insistiram”, contou.

Segundo Furtado, ocorreram vários cancelamentos de aluguel devido a pandemia. “Antes da Covid-19, essa época já estava tudo alugado”, relatou ele, que tem 15 apartamentos para alugar, mas até o momento tinha alugado sete. Furtado lamentou que a imprensa argentina tenha aconselhado a não vinda para Florianópolis.

O argentino Nicolas Caravario, de uma empresa responsável por passeios de barco, informou que o fluxo de vendas caiu pela metade em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar da redução, ele está otimista com o crescimento do turismo neste verão.

Centrinho dos Ingleses atraiu turistas e moradores neste início de semana – Foto: Anderson Coelho/NDCentrinho dos Ingleses atraiu turistas e moradores neste início de semana – Foto: Anderson Coelho/ND

“A procura maior aqui é de argentinos, mas também há muitos uruguaios e paraguaios, além dos brasileiros. Estamos acreditando que o turista do Paraguai virá em quantidade maior este ano e os brasileiros também”, salientou.

Para Caravario, as restrições do governo argentino que diante do avanço da Covid-19 na América do Sul, decretou na última semana, o fechamento de suas fronteiras entre os dias 25 de dezembro até 8 de janeiro de 2021, vão além da preocupação com a saúde dos Hermanos.

“Eu vejo que é econômica, para que o dinheiro não saia do país. Gastar o dinheiro na própria Argentina”, analisou.

Carta pede apoio da população a decisão do governo

Nesta segunda-feira (28), entidades e dirigentes de instituições do setor hoteleiro e de eventos divulgaram uma carta aberta aos catarinenses. No texto, enfatizam que em meio à profusão de normas, decretos e decisões judiciais, os setores hoteleiro e de eventos adaptaram-se às circunstâncias.

Mesmo com a evidente perda financeira que atingiu a todos, constatou-se que seria melhor seguir à risca os protocolos definidos pelas autoridades sanitárias.

Na carta, o grupo lista a relação de protocolos adotados e seguiram à risca, tanto que “não se tem notícia de qualquer hotel que tenha fechado as portas por registro de caso de hóspede infectado”.

O documento diz ainda que o segmento de eventos também se adaptou às restrições.

“Sendo assim, as entidades e dirigentes de instituições do setor hoteleiro e de eventos apelam ao bom senso dos catarinenses para que apoiem a decisão do governo de Santa Catarina de liberar as hospedagens, desde que seguidos os devidos protocolos, e também permitam a realização de eventos corporativos, visto que há necessidade de tempo hábil para que possam ser realizados estes eventos ainda no primeiro semestre de 2021, respeitadas as normas e protocolos sanitários”, diz um trecho da carta.

As entidades e instituições temem que diante de uma decisão judicial possa ocorrer contraria a reabertura, pode ocasionar perdas irreparáveis, visto que nas próximas 24 horas reservas deverão ser canceladas, pagamentos antecipados terão que ser devolvidos e hóspedes serão obrigados a interromper férias “para cumprimento de uma decisão que não leva em consideração o real esforço do setor para manter a saúde e integridade física das pessoas”.

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