UNESCO chancela Caminhos dos Cânions do Sul como Geoparque Mundial

A chancela da Unesco insere a região no mapa dos destinos que são exemplo de gestão com foco no desenvolvimento sustentável e abre portas para novas oportunidades de cooperação

Receba as principais notícias no WhatsApp

O Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, que abrange sete municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina passa a integrar oficialmente a Rede Global de Geoparques ,Global Geoparks Network – GGN, como o segundo geoparque brasileiro. A chancela insere a região no mapa dos destinos que são exemplo de gestão com foco no desenvolvimento sustentável e abre portas para novas oportunidades de cooperação com outros 176 Geoparques em 46 países.

Cânion Fortaleza em Cambará do Sul, está incluído no Geoparque Caminho dos Cânions- Foto: Geoparque caminho dos Cânios/Divulgação NDCânion Fortaleza em Cambará do Sul, está incluído no Geoparque Caminho dos Cânions- Foto: Geoparque caminho dos Cânios/Divulgação ND

O reconhecimento  do Geoparque Caminhos dos Cânions como um território de relevância geológica internacional, foi anunciado pela UNESCO após a 214ª sessão do Conselho Executivo da organização, realizada nesta quarta-feira em Paris, que endossou a aprovação de oito novos geoparques.

O Geoparque Cânions do Sul é formado pelos municípios de Cambará do Sul, Mampituba e Torres, no Rio Grande do Sul;  Praia Grande, Jacinto Machado, Timbé do Sul e Morro Grande, em Santa Catarina. O território abrange uma área total de 2.830 km2 e cerca de 74 mil habitantes.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

No dia 21 de abril, a UNESCO apresenta os novos Geoparques em um evento digital de boas-vindas que pode ser acompanhado ao vivo  a partir das 9 horas, no canal do YouTube: Global Geoparks Network. O Brasil passa a ter três Geoparques, sendo o primeiro deles o Geoparque Araripe, no Ceará, reconhecido em 2006, e agora o Caminhos dos Cânions do Sul e o Geoparque Seridó (Rio Grande do Norte), que recebem o título ao mesmo tempo.

Dos 18 projetos avaliados pela UNESCO em 2021, oito foram aprovados, sendo os geoparques brasileiros os únicos na América Latina. Os outros seis ficam na Europa: Rise (Alemanha), Platåbergen (Suécia), Mëllerdall (Luxemburgo), Buzău Land (Romênia), Salpausselkä (Finlândia) e Kefalonia-Ithaca (Grécia).

Para o presidente do Consórcio Intermunicipal Caminhos dos Cânions do Sul, Carlos Souza, prefeito de Torres, a chancela reconhece a trajetória construída ao longo de 15 anos e traz um novo olhar sobre o potencial turístico da região, destacando sua importância para o mundo.

“Esta conquista é resultado da mobilização de diferentes lideranças, pesquisadores, educadores, estudantes, instituições parceiras, empreendedores, equipe técnica e todos que sempre acreditaram no Geoparque. É só o início de uma nova etapa de trabalho intenso pela frente, mas que já está trazendo importantes resultados para o desenvolvimento econômico da nossa região”, destaca Souza.

O título de “Geoparque Mundial da UNESCO” não é uma designação legislativa – porém, a definição de sítios do patrimônio geológico dentro de um Geoparque Mundial da UNESCO deve ser protegida pelas legislações locais, regionais ou nacionais. O status de Geoparque Mundial da UNESCO não implica restrições a nenhuma atividade econômica dentro de um Geoparque Mundial da UNESCO, desde que essa atividade atenda às leis locais, regionais e/ou nacionais.

A chancela não é um título permanente. A cada quatro anos, os Geoparques passam por um novo processo de revalidação para garantir que seguem cumprindo os requisitos do Programa de Geoparques da UNESCO.

Os Geoparques Mundiais da UNESCO são áreas geográficas unificadas, onde sítios e paisagens de relevância geológica internacional são administrados com base em um conceito holístico de proteção, educação e desenvolvimento sustentável.

Um Geoparque Mundial da UNESCO deve demonstrar o patrimônio geológico de relevância internacional. Além disso, seu propósito consiste em explorar, desenvolver e celebrar as relações entre esse patrimônio geológico e todos os outros aspectos patrimoniais naturais, culturais e imateriais da área. Trata-se de religar, em todos os sentidos, a sociedade humana à Terra e de celebrar as formas como o planeta e sua longa história de 4,6 bilhões de anos têm moldado cada aspecto de nossas vidas e de nossas sociedades.

HISTÓRICO

A concepção de um projeto de Geoparque entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul começou a ser idealizada em 2007, por iniciativa do prefeito de Praia Grande na época,  João José de Matos. A proposta envolvia seis municípios da região, sendo três de Santa Catarina e três do Rio Grande do Sul.

Já em 2009, o projeto Geoparque passou a ser liderado pela parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR), de Araranguá (SC) e Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC). Nessa época, o território do Projeto foi ampliado para 19 municípios.

Entre 2010 e 2011, aconteceram os primeiros estudos para iniciar o inventário dos geossítios pelo Serviço Geológico do Brasil (SBG-CPRM), através da Superintendência de Porto Alegre (RS).

Em 2014, com o amadurecimento do projeto, a área do Geoparque foi reduzida para os atuais sete municípios, como forma de direcionar os esforços para uma área núcleo.

Em abril de 2017, o processo avançou para a criação oficial do Consórcio Público Intermunicipal Caminhos dos Cânions do Sul, órgão responsável pela gestão do projeto, formado pelos sete municípios que compõem o território.

Em 2019, o Consórcio enviou à Unesco o dossiê oficializando o processo de candidatura. O projeto passou a ser considerado um Geoparque Aspirante, cumprindo uma série de procedimentos como o envio de relatórios e documentações específicas que demonstram a relevância geológica da região, além de diversas evidências sobre a trajetória da proposta, a gestão e o envolvimento da população.

Em novembro de 2021, o Geoparque recebeu dois representantes da UNESCO que percorreram todos os municípios do território, avaliando se o projeto cumpria cumpre os requisitos para o título, entre eles: visibilidade, atuação em rede com outros geoparques, estrutura de gestão, atividades educacionais, culturais e de pesquisa científica, além da relevância geológica.

A avaliação foi positiva e recomendou o reconhecimento como um Geoparque Mundial, indicação que foi aprovada por unanimidade na reunião do Conselho de Geoparques da UNESCO em dezembro do ano passado e endossada agora pelo Conselho Executivo.

GESTÃO