Vermelho, verde e mais: o que significam as cores das bandeiras nas praias de SC

Guarda-vidas atuam na orientação dos banhistas no litoral sobre o esquema das cores de bandeiras e indicativos de risco

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NÍCOLAS HORÁRIO Florianópolis

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Os turistas que frequentam as praias de Florianópolis acreditam que conhecem e dominam as sinalizações das bandeiras que indicam risco de afogamento e as condições do mar. Na hora de explicar, entretanto, se confundem, não sabem o que cada cor representa e, curtindo a temporada, em alguns casos, se colocam em perigo, mesmo nas praias sinalizadas.

Sistema de bandeiras em praias de Florianópolis indicam condição do marA professora Suelen Alves Marques (à dir.) conheceu o sistema das bandeiras no Paraná, onde nasceu – Foto: LEO MUNHOZ/ND

A fim de proteger os banhistas em todo o Estado, as principais praias são equipadas com postos guarda-vidas e profissionais, civis e militares, que orientam e, nos casos extremos, socorrem aqueles que se arriscam, ou se descuidam e são enganados pelo mar. Na semana entre 16 e 24 de dezembro, por exemplo, foram 221 salvamentos e resgates no âmbito da Operação Verão.

A engenheira civil mineira Ana Cláudia Guimarães Uchôas, 28 anos, estava com amigos, ontem, no Campeche, e sentiu na pele que o mesmo mar que refresca pode assustar.

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“Não estava conseguindo voltar. Tá puxando muito e fica fundo bem rápido. Para voltar, tive que fazer força. Senti medo e tomei um caldo. Voltei, porque é melhor não abusar”, diz a turista. Ana costuma observar as bandeiras e fica em alerta ao se deparar com as vermelhas, como no caso de boa parte da extenção de praia no Campeche.

A administradora Thalita Burgatto, 33, mora em São José dos Campos (SP) e admite que não sabe o significado de cada bandeira, porém, tenta reparar e respeitar. “Vejo as bandeiras e fico só na pontinha, não arrisco entrar. Uma vez, o mar estava puxando muito, eu tava no stand-up, foi puxando e fiquei com medo, até que veio uma onda e me trouxe de volta”, diz ela, lembrando uma situação de perigo em Ubatuba, no litoral paulista.

A professora Suelen Alves Marques, 35, é de Ibiporã (PR) e conheceu o sistema das bandeiras no Estado natal. Ela até soube explicar o significado das sinalizações vermelha e preta, mas parou por aí. “A amarela eu não sei, nunca vi”, comenta.

Mais de 200 casos de crianças perdidas

Somente na primeira semana da Operação Verão, 237 crianças se perderam dos pais nas praias do Estado.

Nos postos e na beira da água, guardas-vidas ficam atentos para garantir a segurança dos banhistas nas praias de FlorianópolisNos postos e na beira da água, guardas-vidas ficam atentos para garantir a segurança dos banhistas nas praias de Florianópolis – Foto: LEO MUNHOZ/ND

De Itapema, a empresária Daniela Emmendorfer, 36, brincava com a pequena Madah, de um ano e cinco meses, ontem, na beira da praia do Campeche. A menina estava feliz, e a mãe, em alerta. “Estou achando a praia bem perigosa. Não lembrava disso. Não dá pra bobear um minuto”, afirma Daniela, em relação ao cuidado com a filha pequena.

A preocupação do coordenador de engenharia Pedro Henrique Lourenço Peres, 28, e da mulher dele, Ana Paula, é praticamente a mesma: cuidado redobrado com a pequena Maria Luiza. “não pode ficar longe de jeito nenhum, ainda mais que está começando a engatinhar”, explica o turista de Maréu (RS). Em relação às bandeiras, disse que relaciona as cores do semáforo no trânsito e, para se cuidar, fica perto dos postos salva-vidas.

Em caso de dúvida, recomendação é procurar os guarda-vidas

O sargento Rafael Goulart do GBS (Grupamento de Busca e Salvamento), do 1° BBM (Batalhão de Bombeiros Militar), em Florianópolis, explica que o Campeche é uma praia de mar aberto, em que a ondulação entra com muita força e, por isso, tem muitas bandeiras indicando corrente de retorno, lateral e buracos na beira da praia. Desde o inverno, nos fins de semana, o posto guarda-vidas da praia foi ativado e, a partir de outubro, todos os dias com guarda-vidas.

Sistema de bandeira: vermelha indica local perigo nas praias de Florianópolis – Foto: LEO MUNHOZ/NDSistema de bandeira: vermelha indica local perigo nas praias de Florianópolis – Foto: LEO MUNHOZ/ND

“Desde outubro tivemos arrastamentos e ocorrências. Como tivemos alguns dias de calor, em outubro e novembro, deu movimento e o pessoal trabalhou bastante. Dezembro começou com bastante calor, praia movimentada e reforçamos o efetivo, são dez a 12 guarda-vidas no Campeche, mais seis ou sete no entorno”, ressalta.

No verão, a equipe do Campeche também atua em ocorrências relacionadas à presença de água-viva, crianças perdidas e arrastamentos. Ele recomenda que os banhistas tomem banho próximo aos postos de guarda-vidas, respeitem a sinalização e as orientações. Também não devem ir muito para o fundo. Famílias com crianças pequenas podem retirar a pulseira de identificação para os pequenos no posto de guarda-vidas.

Goulart falou à reportagem no dia do guarda-vidas e resumiu a profissão: “O grande barato é a satisfação. A gente trabalha com o que gosta, no ambiente que gosta. Salvar outras pessoas é gratificante. O olhar deles demonstra gratidão”.

Sistema de bandeiras

Existem dois tipos e cinco cores de bandeiras. As bandeiras retangulares ficam no posto de guarda-vidas e indicam a condição geral do mar no dia. Também se o posto está ativado e se a praia tem surto de água-viva. Já as fixadas na beira da praia são triangulares e indicam situações em pontos específicos.

Bandeiras nos postos guarda-vidas:

  • Vermelha: indica alto risco de afogamento.
  • Amarela: médio risco.
  • Verde: baixo risco de afogamento.
  • Preta: serviço de guarda-vidas desativado no posto.
  • Lilás: surto de água-viva.

Bandeiras na praia

  • Vermelha (local perigoso): locais com corrente de retorno e outros riscos. O banhista deve evitar o mar em frente a essa bandeira.
  • Verde: locais que oferecem boas condições e são mais seguros para o banho de mar.

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