A morte do ator Paulo Gustavo nesta terça-feira (4), vítima da Covid-19, gerou uma verdadeira comoção nacional. Desde que foi internado no mês de março, uma legião de fãs e admiradores oraram pela sua recuperação e prestaram homenagens após sua morte.
Morte de Paulo Gustavo gerou comoção coletiva – Foto: Instagram/ReproduçãoO luto provocado pela perda precoce do humorista é o resultado de um forte vínculo criado entre as pessoas e seus ídolos.
“As pessoas desenvolvem uma relação de admiração com seus ídolos, que representam valores de como ser, como agir, como viver a vida. Cria-se um vínculo mesmo não tendo contato pessoal.”, explica a professora Ivânia Jann Luna, do Departamento de Psicologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
SeguirNeste sentido, a morte do ídolo representa uma perda pessoal, como se fosse um amigo ou até alguém da família, o que gera a reação do luto.
Comoção coletiva
Toda a batalha de Paulo Gustavo contra o novo coronavírus repercutiu na imprensa e nas redes sociais. As pessoas puderam acompanhar, diariamente, informações sobre o estado de saúde do ator.
Desde que foi confirmada a morte, na noite desta terça, usuários das redes sociais compartilharam orações, homenagens, vídeos e fotos lamentando o desfecho da luta dele contra a doença.
O alto número de postagens sobre a morte de Paulo Gustavo mostra a necessidade das pessoas expressarem publicamente a sua dor, segundo a professora Ivânia.
“As pessoas querem ser reconhecidas como enlutadas. O luto se torna um fenômeno público. As pessoas querem falar sobre ele de forma aberta. Esse ritual de compartilhar o luto é importante no processo de perda do ídolo.”, aponta.
O fato de Paulo Gustavo ter partido em meio a uma pandemia traz ainda mais significado e potência à comoção coletiva. “É uma figura brasileira que trouxe esperança, que representava coisas positivas por meio da comédia. Trazia uma sensação de leveza e afeto. Gerava uma empatia que era correspondida de forma direta pelas pessoas.”, diz a professora.