Entenda porque The Ocean Race não tem velejadores do Brasil, única parada na América Latina

André Bochecha, um dos brasileiros a integrar a equipe Brasil 1 na regata, fala sobre a experiência e aponta caminhos para o Brasil retornar à Fórmula 1 dos mares

Foto de Bruno Golembiewski e Grazielle Guimarães

Bruno Golembiewski e Grazielle Guimarães Itajaí

Receba as principais notícias no WhatsApp

A segunda semana da The Ocean Race em Itajaí, Litoral Norte de Santa Catarina, chegou ao fim, entretanto a atuação brasileira na regata se limita a organização, imprensa e, claro, na presença em massa da população da região que prestigia o evento. Apesar disso, não temos nenhum velejador ou membro de qualquer setor de equipe que seja nascido no Brasil. O ND+ buscou entender o porquê.

André Fonseca, também conhecido como Bochecha, é brasileiro natural de Florianópolis, capital do Estado, e já participou de três edições da The Ocean Race. Em 2005-2006, esteve na sempre lembrada equipe Brasil 1, com o capitão e medalhista olímpico Torben Grael. Em 2008-2009, representou os holandeses da Delta Lloyd e por último, em 2015, esteve na Mapfre, edição que já tinha Itajaí como uma das paradas.

André Buchecha, que navegou no Brasil 1, aponta caminhos para que o país volte a ter velejadores na The Ocean Race – Foto: Bruno Golembiewski/NDAndré Buchecha, que navegou no Brasil 1, aponta caminhos para que o país volte a ter velejadores na The Ocean Race – Foto: Bruno Golembiewski/ND

“É motivo de muito orgulho ver como Santa Catarina se consolidou como uma das paradas da The Ocean Race. Itajaí faz um grande trabalho. É considerada por muitos como uma das melhores etapas de toda a regata, por toda a capacidade de organização, questões logísticas, além de tornar o evento uma grande festa”, destaca Buchecha.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Apesar de se destacar como sede, o Brasil não tem velejadores na principal regata do mundo. Para Buchecha, com as novas regras e mudança no tipo de embarcação- antes VO65 e VO70 agora Imoca 60– ficou difícil o ingresso de brasileiros na corrida. O número de tripulantes ser tão baixo- apenas quatro- também reduz as possibilidades, já que só 20 velejadores disputam a Ocean Race.

André Buchecha visitou a Ocean Live Park em Itajaí e conversou com o ND+ – Foto: Bruno Golembiewski/NDAndré Buchecha visitou a Ocean Live Park em Itajaí e conversou com o ND+ – Foto: Bruno Golembiewski/ND

O velejador projeta que o caminho mais fácil para o retorno dos brasileiros à regata seria a criação de uma equipe brasileira, com a fabricação de um barco nacional, grande apoio do governo estadual e federal, além de patrocinadores com possibilidade de aporte para este tipo de modalidade. “A principal dificuldade é encontrar grandes patrocinadores, porque pessoas e velejadores capacitados nós temos”, garante.

Murilo Novaes, jornalista com ampla experiência na cobertura da Vela, pensa que a falta de participação brasileira nas últimas edições da The Ocean Race também se dá pela alteração da classe dos barcos. “Não temos Imoca no Brasil e não existem brasileiros nem fora do país que velejam nesta classe. Os anteriores eram mais similares aos veleiros normais encontrados em águas brasileiras, já o Imoca, é um barco muito específico”, explica.

Brasil 1 fica na entrada do Museu da Regata, em Alicante, plotado com as cores da The Ocean Race – Vídeo: Marcelo Nunes/ND

Assim como Bochecha, Murilo aponta que o caminho mais fácil para que brasileiros voltem a figurar entre os velejadores, é o surgimento de uma equipe nacional com um barco classe Imoca, para participar da próxima edição da The Ocean Race. “Existem algumas iniciativas, mas ainda muito embrionárias”.

Mesmo não havendo velejadores brasileiros, o público de Itajaí fez muita festa nas chegadas das equipes à cidade. Para Buchecha, se tivesse uma equipe brasileira como em edições passadas, essa torcida seria ainda maior, pois o vínculo das pessoas com o time seria mais intenso.

“Já vamos pra 5ª regata em Itajaí. Já está mais do que na hora de termos uma embarcação catarinense na água. O protagonismo que teria isso, com torcida local é muito diferente, especial”- André Buchecha

Longe dos mares, André Bochecha segue acompanhando todas as etapas, principalmente pelo site oficial da regata- o qual acessa várias vezes por dia- buscando entender as estratégias adotadas por cada equipe e claro, torcendo para os amigos espalhados pelos cinco barcos em alto mar.

Em visita a Itajaí, ele revive as memórias na The Ocean Race. “A regata me prende muito, dá muita vontade de estar participando. Foi muito gratificante representar o Brasil, lembro sempre com muito carinho”, conclui.