A ausência horas antes da seleção brasileira feminina de vôlei entrar em quadra pela semifinal na Olimpíada de Tóquio, por conta de teste positivo no exame antidoping, nesta sexta-feira (6), pegou as jogadoras e torcida de surpresa. Defesa da atleta afirma que a contraprova ainda não foi realizada.
Tandara (direita) testou positivo no exame antidoping realizando antes das Olimpíadas – Foto: Julio Cesar Guimarães/COB/NDDe acordo com a ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem), a substância encontrada no exame antidoping de Tandara Caixeta foi a Ostarina, que é “uma susbtância não especificada, proibida em competição e fora de competição Pertence a classe: S1.2 Agentes Anabolizantes – Outros Agentes Anabolizantes – SARMS da Lista de substâncias e métodos proibidos da AMA-Wada”, disse a entidade.
Em entrevista para o portal UOL, o presidente do departamento de endocrinologia feminina e andrologia da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), Alexandre Hohl, explicou que a ostarina é uma substância que imita a testosterona, mas com menos efeitos adversos.
SeguirDessa forma, a atleta tem ganho de massa muscular e melhor desempenho na competição. Além disso, a Wada (Word Anti-Doping Agency) também menciona a ostarina como uma das substâncias proibidas em sua lista oficial.
Tandara já está retornando para o Brasil e passará pelos trâmites normais para fazer a sua defesa. A ABCD disse ainda que “o processo de controle de dopagem seguiu todos os padrões internacionais estabelecidos pela Agência Mundial Antidopagem (Wada)”.
Comissão foi pega de surpresa
O técnico José Roberto Guimarães até agora não entendeu o motivo de o resultado ter demorado quase um mês para ser anunciado e chegar na véspera de uma partida decisiva.
“Eu recebi a notícia de madrugada e fiquei paralisado. Depois vi quais eram os procedimentos que deveríamos tomar. Eu tinha duas preocupações: ela e o grupo. Conversei com ela, que me disse que não tinha tomado nada e estava limpa, mas ela não podia ficar. Foi tenso comunicar o grupo, ela estava devastada”, revelou o treinador.
O teste foi realizado fora do período de competição, em 7 de julho, no Centro de Treinamento da seleção em Saquarema (RJ).
“Ao receber, no dia 5 de agosto de 2021, o resultado do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), único credenciado pela Wada na América Latina, foi constatada a presença da substância Ostarina, que pelo Código Brasileiro Antidopagem implica na aplicação obrigatória de uma suspensão provisória da atleta”, informou a ABCD.
A notícia do doping e saída de Tandara da equipe pegou todas as jogadoras desprevenidas.
“Todo mundo foi pego de surpresa, mas somos um grupo. Estamos torcendo pela inocência dela e sabemos que ela vai dar força para gente de onde estiver. Jogaremos por ela”, afirmou Carol Gattaz.
As atletas confirmaram que Tandara não teve tempo de se despedir do grupo, mas depois mandou uma mensagem para todas.
“A gente vem passando por muitas situações que não importa o que aconteça, passamos por cima. A gente vai lutar por ela, vamos levar esse ouro para a Tandara”, completou Gabi.
Defesa se manifesta
Por meio de nota, os advogados de defesa da atleta afirmaram que a contraprova da urina de Tandara não havia sido analisada, até o momento. “Portanto, salvo melhor juízo, são se afigura razoável qualquer pré-julgamento de uma atleta íntegra, sem quaisquer antecedentes e que há anos contribui para as conquistas do voleibol brasileiro”, declara os advogados.
Além disso, a defesa informou que Tandara não se pronunciará até a decisão final sobre o caso. “Tendo em vista o segredo de justiça imposto ao processo, em respeito à ABCD e ao TJD-AD, por nossa orientação”, explica.
*Com informações do Estadão Conteúdo