“Foi uma experiência única”, diz Renan Dal Zotto sobre livro “Ninguém é campeão por acaso”

Técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, ex-jogador fala à coluna sobre os pilares essenciais para ter sucesso em esportes de alto rendimento

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Renan Dal Zotto, técnico da seleção brasileira masculina de vôlei – Foto: divulgação CBVRenan Dal Zotto, técnico da seleção brasileira masculina de vôlei – Foto: divulgação CBV

Ídolo da chamada “geração de prata”, que trouxe uma medalha olímpica inédita para o país em 1984, Renan Dal Zotto, 59, agora concilia o comando da Seleção Brasileira com a equipe do Vôlei Taubaté, onde é treinador desde fevereiro. No último dia 14, ele lançou em Florianópolis – onde mora com a família – o livro “Ninguém é campeão por acaso” (Benvira). À coluna, ele falou sobre os pilares essenciais para ter sucesso em esportes de alto rendimento e também na vida de modo geral.

O livro fala sobre seis pilares essenciais para sucesso no esporte de alto rendimento. Eles explicam os resultados da tua geração, referência até hoje no vôlei?
O que precisa ficar claro é que é uma visão minha e não existe o segredo do sucesso. O que existem são fatores e princípios importantes que devem nortear a vida de cada um e faço um relato das coisas que eu acredito. O primeiro pilar é a paixão, que é que nos alimenta todo dia a retornar às quadras, ao trabalho, ao ambiente familiar etc. Amar o que você faz é fundamental. O segundo é o treinamento, a prática, o dia-a-dia, o comprometimento. O terceiro pilar é a renúncia: saber que vai ter que abrir mão, por vários momentos, de prazeres da vida em prol de um sonho maior. O quarto é a ousadia: sair constantemente da zona de conforto. Sou contra aquele ditado que diz que time que está ganhando não se mexe. A gente tem que estar sempre inovando, buscando novos resultados. No mundo corporativo, principalmente, se você ficar vivendo de glórias do passado rapidamente acaba sendo ultrapassado.

O livro fala também em resiliência, não é?
Sim. Temos que saber que vamos, em algum momento, falhar. Tem o ditado que diz que você pode ganhar mesmo na derrota, desde que tire os devidos aprendizados. E o último pilar é o planejamento, o plano de vôo, saber onde quer chegar e que precisa ser sempre reavaliado. Para tudo que se faz – plano de vida, financeiro, familiar, profissional – é fundamental ter claro você está, onde quer chegar, como e quando.

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O que te motivou a escrever o livro e como foi o processo? Há alguns anos, um amigo escritor, Tom Cardoso, vinha tentando me convencer a fazer o livro. Eu sempre dizia que não. Tive que fazer uma cirurgia bastante delicada, fiquei alguns meses em casa e decidi escrever. Foi uma experiência única poder passar um pouco da nossa história. É importante compartilhar um pouco das experiências, independentemente da área de atuação.

Quando você olha para trás, certamente um dos sentimentos é orgulho. Mas faria algo diferente, se arrepende de alguma decisão?
Sim, tenho muito orgulho de ter feito parte de uma geração que foi importante para o voleibol brasileiro nessa longa história de sucesso do esporte. Parei de jogar com 33 anos, fui ser treinador, gestor, não me arrependo de nada porque todas as decisões que tomei na vida foram muito bem pensadas e planejadas.

Como é a rotina atual, conciliando o Vôlei Taubaté, a Seleção e a família em Florianópolis?
Minha decisão de aceitar o convite do clube para treinar no ano passado e neste ano foi justamente com foco nos jogos olímpicos. Precisava estar cada vez mais próximo dos atletas, acompanhando o dia-a-dia não só do meu time mas também dos adversários. Esse contato diário está sendo fantástico. O foco maior é a olimpíada. Toda minha gratidão à minha família que está sendo compreensiva, amorosa e parceira, de forma incondicional, nesse momento tão importante na minha vida. Tóquio 2020 é nosso grande objetivo.

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